Prevenção Combinada


A Prevenção Combinada sugere o uso combinado de métodos de prevenção, de acordo com as possibilidades e escolhas de cada pessoa, sem excluir ou substituir um método a outro, entendendo que as tecnologias de prevenção podem ser conjugadas e combinadas com as intervenções de prevenção já consagradas na resposta ao HIV.
É uma estratégia de prevenção que faz uso combinado de intervenções biomédicas, comportamentais e estruturais aplicadas no nível dos indivíduos, de suas relações e dos grupos sociais a que pertencem, mediante ações que levem em consideração as necessidades e especificidades e as formas de transmissão do vírus.

As intervenções biomédicas 
As abordagens biomédicas são aquelas em que o foco da intervenção está na redução do risco à exposição dos indivíduos ao HIV, a partir de ações que impeçam sua transmissão mediante a interação entre uma ou mais pessoas que tenham o vírus em seu sistema e demais pessoas que não o possuam.

As intervenções comportamentais 
As abordagens comportamentais referem-se às intervenções cujo foco está no comportamento dos indivíduos como forma de evitar situações de risco. O objetivo dessas intervenções é oferecer a indivíduos e segmentos sociais um conjunto amplo de informações e conhecimentos, de maneira a torná-los aptos a desenvolver estratégias de enfrentamento ao HIV/aids que possam melhorar sua capacidade de gerir os diferentes graus de risco a que estão expostos. Nesse sentido, é imprescindível aprimorar suas percepções quanto ao entendimento e mensuração dos riscos que vivenciam em termos da exposição ao HIV, e que estão relacionados às suas práticas cotidianas, envolvam elas ou não aspectos relativos às práticas sexuais, ao uso de álcool e outras drogas ou a outro comportamento que signifique risco de infecção pelo vírus.

As intervenções estruturais 
As intervenções estruturais buscam mudar as causas ou estruturas centrais que afetam os riscos e as vulnerabilidades ao HIV. Para fazer face a essas vulnerabilidades, em especial à vulnerabilidade social, o terceiro componente da Prevenção Combinada do HIV refere-se às intervenções estruturais e remete a fatores e características sociais, culturais, políticas e econômicas que criam ou potencializam vulnerabilidades de determinadas pessoas ou segmentos sociais. O reconhecimento desses fatores demanda que as abordagens estruturais para a prevenção do HIV sejam desenvolvidas e implementadas de acordo com os contextos e relevâncias locais, sob o risco de os esforços de prevenção do HIV não alcançarem êxito em longo prazo. Assim, as intervenções estruturais visam evitar que preconceitos, discriminações ou intolerâncias se convertam em formas de alienação ou relativização dos direitos e garantias fundamentais à dignidade humana e à cidadania.

Conheça a Prevenção Combinada do HIV
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2017/prevencao-combinada-do-hiv-bases-c...

Insumos de Prevenção: Preservativo feminino (vaginal) e masculino (peniano), gel lubrificante
Os métodos de barreira configuram-se em estratégias de contracepção e de prevenção às IST mediante as quais são utilizados anteparos que impedem a liberação de esperma no interior da vagina, boca ou ânus, bem como impossibilitam o contato entre suas respectivas membranas. Entre os métodos de barreira, destacam-se o preservativo feminino e o preservativo masculino, que podem ser usados conjuntamente com gel lubrificante.
Além de o preservativo ser o método de prevenção do HIV mais efetivo na diminuição dos riscos de infecção, destacam-se, ainda, as seguintes vantagens do uso de preservativos masculinos (peniano) e femininos (vaginal): 

  • Contribuem para a Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva; 
  • Previnem outras IST; 
  • São utilizados como método contraceptivo; 
  • São economicamente efetivos; e 
  • São de fácil uso e manuseio.

 
Testagem regular para o HIV, outras IST e hepatites virais
A testagem regular do HIV se configura como estratégia importante não apenas para o diagnóstico oportuno, mas também pode ser uma estratégia de prevenção. Alguns segmentos da população-chave utilizam a testagem rotineira para selecionar parcerias sexuais e, considerando testes negativos, ter relações sexuais penetrativas sem o uso de preservativo. Essa prática está baseada numa lógica de redução de riscos nas relações sexuais.
A testagem regular para outras IST, HBV e HCV tem outra lógica, pois, ao ser diagnosticado, o indivíduo tem condições de realizar o tratamento prontamente, reduzindo assim as chances de contrair o HIV em uma relação desprotegida.

Conheça o Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças
http://www.aids.gov.br/pt-br/node/57787


Conheça o Manual Técnico de Diagnóstico da Sífilis
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2016/manual-tecnico-para-diagnostico-da...


Conheça o Manual Técnico para o Diagnóstico das Hepatites Virais
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/manual-tecnico-para-o-diagnostico-...

Diagnosticar e tratar as pessoas com IST e hepatites virais
A presença de lesões ulceradas ou com solução de continuidade na mucosa genital ou oral pode favorecer a aquisição de outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia e clamídia além de predispor o risco para aquisição do HIV. Assim, a atenção à saúde sexual deve ser entendida como estratégia fundamental na prevenção do HIV. 
Em relação à sífilis, no caso de resultado reagente, é importante não perder a oportunidade de tratar. A equipe deve ter profissional apto a reconhecer as manifestações clínicas, assim como interpretar os resultados dos exames que desempenham papel fundamental no controle da infecção, confirmação do diagnóstico e o monitoramento da resposta ao tratamento.


Conheça o PCDT de IST
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-ter...


Conheça o PCDT das Hepatites B e C
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2016/protocolo-clinico-e-diretrizes-ter...
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2017/protocolo-clinico-e-diretrizes-ter...

Prevenção da transmissão vertical do HIV
A transmissão vertical do HIV ocorre pela passagem do vírus da mãe vivendo com HIV para o bebê durante a gestação, o trabalho de parto, o parto propriamente dito (contato com as secreções cérvico-vaginais e sangue materno) ou a amamentação, sendo que cerca de 35% dos casos dessa forma de transmissão ocorrem durante a gestação e 65% no periparto, havendo um risco acrescido de transmissão pela amamentação entre 7% e 22% por exposição (mamada). A transmissão vertical do HIV ocorre em cerca de 25% das gestações das mulheres vivendo com o vírus, quando não são realizadas intervenções de profilaxia. A literatura mostra uma redução dessa taxa para níveis entre 1% e 2% com a aplicação de todas as intervenções preconizadas para a prevenção da transmissão vertical, quais sejam: diagnóstico precoce (durante o pré-natal) , utilização de TARV na gestação, manejo obstétrico por meio de cuidados específicos durante o parto vaginal e o parto cesário, utilização do AZT injetável no parto, manejo clínico do recém-nascido exposto e aleitamento artificial.


Conheça o PCDT para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-ter...

Imunizar para HBV e HPV
O Ministério da Saúde recomenda que a vacina para a hepatite B seja ofertada salientando-se sua segurança e alertando aos(às) usuários(as) que só haverá a imunização após a realização das três doses preconizadas (0, 1 e 6 meses). 
Outra medida importante de imunização que deve ser trabalhada no âmbito da Prevenção Combinada é a vacina para o HPV, que foi incorporada ao calendário nacional de vacinação em 2013 para meninas entre 9 e 14 anos e para meninos na faixa etária, de 11 a 14 anos em duas doses (0 e 6 meses). Para as PVHIV há a indicação da vacina para adolescentes e adultos jovens de 9 a 26 anos em três doses (0, 2 e 6 meses).

Redução de danos
A Redução de Danos (RD) pode ser entendida tanto como estratégia de saúde pública que visa reduzir os danos sociais e à saúde associados ao uso de álcool e outras drogas, segundo a Portaria GM/MS 1.028, de 1º de julho de 2005, ou como diretriz do cuidado às pessoas que usam álcool e outras drogas, segundo a Política do Ministério da Saúde para Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas. Sendo assim, a RD propõe estratégias de intervenções comportamentais, mas também implica um repertório de cuidado integral e intersetorial, que inclui um conjunto de estratégias singulares e coletivas voltadas às pessoas que usam, abusam ou dependem de drogas e sua rede social e afetiva e, portanto, também pode ser considerada como uma intervenção estrutural.
A Portaria GM/MS nº 1.028/2005 também frisa a importância das ações de informação, educação e aconselhamento ao(à) usuário(a), em relação aos produtos, substâncias ou drogas que causem dependência e às práticas sexuais das pessoas que usam álcool e outras drogas e suas parcerias, com o objetivo de estimular a adoção de comportamentos mais seguros tanto no consumo de substâncias psicoativas como nas práticas sexuais. 
Segundo esse preceito, pode-se realizar a distribuição de kits de redução de danos para pessoas que usam drogas, silicone industrial e hormônios, mas também trabalhar com informações sobre os efeitos das drogas e das estratégias de RD com os(as) usuários(as), para que, se forem consumir drogas, que possam fazê-lo de maneira mais segura e com estratégias de proteção.

Tratamento para todas as pessoas
O pressuposto dessa estratégia de prevenção do HIV é o de que as PVHIV sob tratamento antirretroviral (TARV), apresentam menor quantidade de vírus em circulação em seus corpos (com carga viral baixa ou mesmo indetectável), o que impacta na redução da transmissão do HIV na comunidade. Essa asserção vem sendo reiteradamente corroborada por evidências científicas.
O Brasil adota o conceito indetectável = intransmissível para Pessoas Vivendo com HIV (PVHIV). Este termo é válido desde que as PVHIV estejam com carga viral do HIV indetectável há pelo menos seis meses.


Conheça o PCDT PARA O Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2013/protocolo-clinico-e-diretrizes-ter...

 PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO (PEP)
O Ministério da Saúde preconiza, desde 2010, o uso de medicamentos antirretrovirais como mais uma forma de prevenção para o HIV. Chamada de PEP (sigla em inglês para Profilaxia Pós-Exposição), a medida se insere no âmbito da prevenção combinada e consiste na prescrição desses medicamentos em até 72 horas após o contato do paciente com o vírus. A profilaxia dura deve ser realizada durante 28 dias e o atendimento é considerado de urgência pelo Ministério da Saúde, conforme prevê o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Antirretroviral Pós-Exposição de Risco à Infecção pelo HIV.
Esse protocolo tem caráter normativo, devendo ser integralmente observado em todos os casos que envolverem a PEP. O PCDT se divide em quatro seções, correspondentes às etapas da abordagem da pessoa exposta ao risco de infecção pelo HIV:

  • Avaliação do risco de exposição;
  • Esquema antirretroviral para PEP;
  • Outras medidas no atendimento à pessoa exposta;
  • Acompanhamento clínico-laboratorial.

Outra modificação importante em relação às normativas anteriores é que, a partir de 2015, o Ministério da Saúde estabeleceu diretrizes mais abrangentes para a elegibilidade de pacientes à PEP, unificando os esquemas terapêuticos. Assim, não há mais distinção entre PEP sexual, PEP de violência sexual e PEP ocupacional, devendo todos os casos serem atendidos com a mesma urgência.

Conheça o PCDT de PEP
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-ter...

PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO AO HIV (PrEP)
A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP, do inglês Pre-Exposure Prophylaxis) consiste no uso de antirretrovirais (ARV) que são utilizados antes da exposição para reduzir o risco de adquirir a infecção pelo HIV. Essa estratégia tem se mostrado eficaz e segura em pessoas com risco aumentado de adquirir a infecção.


Como a epidemia de HIV/aids no Brasil está concentrada em alguns segmentos populacionais que respondem pela maioria de casos novos da infecção, como gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e profissionais do sexo, o Ministério da Saúde considerou estes segmentos para oferta da PrEP, além dos casais sorodiferentes.


Porém, o simples pertencimento a um desses grupos não é suficiente para caracterizar que esses indivíduos estão em risco de exposição ao HIV.  O que define são as práticas sexuais, parcerias ou contextos específicos que determinam mais chances de exposição ao vírus. 


Além de apresentarem maior risco de adquirir o HIV, essas pessoas frequentemente estão sujeitas a situações de discriminação, sendo alvo de estigma e preconceito e aumentando, assim, sua vulnerabilidade ao HIV/aids. 


Para esses casos, a PrEP se insere como uma estratégia adicional de prevenção e está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de reduzir a transmissão do HIV e contribuir para o alcance das metas relacionadas ao fim da epidemia. Contudo, para que essa estratégia seja eficaz, é necessário que a rede de saúde remova as barreiras de acesso a essas populações e que os profissionais de saúde façam e acolhimento adequado garantindo o direito à saúde de qualidade e de forma integral.


Conheça o PCDT de PrEP
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2017/protocolo-clinico-e-diretrizes-ter...