EVENTO

Reunião técnica analisa o campo e as práticas de prevenção do HIV no Brasil

Grupo de trabalho agrega representantes de organizações internacionais e especialistas nacionais durante três dias

11.06.2019 - 10:50
12.06.2019 - 10:56

 

De 12 a 14 de junho, o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI/SVS) do Ministério da Saúde reúne em Brasília, na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), especialistas de diversas organizações internacionais (OPAS/OMS, UNAIDS, UNESCO, UNICEF, UNFPA, CDC e AHF) e especialistas nacionais de diversos setores para analisarem durante três dias o campo e as práticas de prevenção do HIV no Brasil.

A proposta do encontro inclui a organização de painéis, debates e trabalhos em grupo envolvendo os temas-chave para realização dos trabalhos. Ao longo das últimas décadas, o DCCI apoiou a realização de diversos estudos envolvendo populações vulneráveis. Dentre os estudos mais importantes destacam-se os realizados nos anos 2010 e 2016, em algumas capitais brasileiras com trabalhadoras do sexo, gays e outros HSH, travestis e mulheres trans. Esses estudos adotaram a metodologia Respondent Driven Sampling (RDS).

O diretor do DCCI, Gerson Pereira, destacou a importância do encontro pois os resultados reportam altas prevalências de HIV e de sífilis entre estas populações, além de fornecerem dados sobre hepatites virais e informações sobre uso de álcool e outras drogas. “Este evento se torna importante pois os estudos possibilitaram a estratificação da população segundo variável raça/cor e da percepção sobre risco, violência e discriminação, determinantes de barreiras de acesso aos serviços de saúde”, afirma.

O Brasil figura frequentemente no cenário internacional como um dos primeiros países a desenvolver e adotar novas tecnologias de prevenção e assistência ao HIV baseadas em evidência como política pública de saúde, tais como tratamento para todos, em 2013; Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP), em 1999; Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), em 2017; e indicação de dolutegravir como esquema preferencial de primeira linha de tratamento, em 2018. Todavia, permanece o desafio da redução das novas infecções pelo HIV no país, principalmente entre a população jovem.

Por isto, a reunião tem intuito de potencializar e definir estratégias de prevenção do HIV que foram adotadas pelo Brasil, além de considerar as intervenções de base comunitária e nas redes de atenção. Propõe também identificar práticas de prevenção, identificar estratégias de comunicação em saúde - relacionadas à prevenção - e analisar indicadores de monitoramento das estratégias de prevenção do HIV.

Como resultado da reunião técnica será elaborado um documento técnico-programático orientador com recomendações para o aprimoramento do campo e das práticas da prevenção do HIV no Brasil.

VISITAS TÉCNICAS

Os participantes internacionais terão a oportunidade de conhecer o funcionamento da rede de atenção à saúde, em especial as ações voltadas à prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidado em relação ao HIV, tanto de ações governamentais quanto não-governamentais em dois municípios: Porto Alegre (dia 10/06) e Brasília (dia 11/06).

COALIZAÇÃO GLOBAL SOBRE PREVENÇÃO DO HIV FOI REPRESENTADA PELO DCCI

Em maio, a capital do Quênia, Nairobi sediou a Reunião de Diretores das Comissões Nacionais de AIDS dos Estados Membros da Coalizão Global sobre Prevenção do HIV. O encontro foi co-organizado pelo UNAIDS e UNFPA com objetivo de analisar o progresso alcançado pelos países-membros da Coalizão e traçar estratégias de aceleração da resposta ao HIV com vistas ao alcance da meta global de reduzir o número de novas infecções por HIV em 75% até 2020 para menos de 500.000 infecções.

A Coalizão Global sobre Prevenção do HIV foi criada em outubro de 2017 para buscar maior empenho e investimento dos países na prevenção do vírus e chegar a um acordo sobre o roteiro ideal para levar os países rumo às metas de 2020. Ministros da saúde e outras autoridades governamentais de 25 países com elevado número de novas infecções por HIV, além de líderes de mais de 20 organizações internacionais e da sociedade civil, endossaram o Roteiro de Prevenção do HIV até 2020.

“A reunião de diretores de comissões nacionais de AIDS representou uma oportunidade ímpar para o intercâmbio de experiências entre os países empenhados na aceleração da resposta para a redução das novas infecções para o HIV”, conta Cleiton Euzébio de Lima, diretor interino do UNAIDS no Brasil, que participou do evento ao lado de representantes do Ministério da Saúde brasileiro. “O Brasil pôde compartilhar os resultados das estratégias que têm desenvolvido no campo da prevenção, reforçando o compromisso com as metas e prioridades estabelecidas no plano de trabalho da Coalizão.”

O Roteiro de Prevenção do HIV até 2020 estimulou os países a desenvolverem um plano de 100 dias para ações imediatas, incluindo a definição de metas nacionais, a revisão do progresso realizado mediante o plano, e a reavaliação de seus programas nacionais de prevenção. No Brasil, o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis atuou em parceria com o UNAIDS Brasil na construção do Plano, que foca em ações voltadas para populações-chave e para a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).

A consultora técnica do DCCI/SVS, Nara Araújo, participou da reunião e destacou o comprometimento do país com o Roteiro de Prevenção proposto pelo UNAIDS rumo às metas até 2020. A participação brasileira na reunião da Coalizão Global para a Prevenção do HIV ocorreu em momento estratégico, um mês antes da Reunião Técnica para Analisar o Campo e as Práticas da Prevenção do HIV no Brasil, que será realizada em Brasília no período de 12 a 14 de junho de 2019.

 

Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis
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