OFICINA PrEP

Oficina capacita trabalhadoras e trabalhadores do sexo sobre PrEP

O evento teve objetivo informar sobre essa e outras tecnologias preventivas e a construção conjuntamente de estratégias de comunicação

12.03.2018 - 08:32
16.03.2018 - 18:57

 

[node:title]É histórica a participação da sociedade civil na construção da reposta brasileira ao HIV/aids. O engajamento comunitário e o desenvolvimento de ações protagonizadas pelas próprias populações – especialmente as mais vulneráveis a infecção pelo vírus causador da aids – tem sido estratégico na prevenção do HIV e também de outras infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis.

Foi com esse intuito, de dar voz a sociedade civil, que o Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde realizou a 1º Oficina de PrEP com as Trabalhadoras e Trabalhadores do Sexo. O encontro reuniu, nos dias 7 e 8 de março, em Brasília, representantes de movimentos nacionais de trabalhadoras sexuais, jovens lideranças do movimento e trabalhadoras sexuais de estados que já ofertam a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PrEP).

“Vocês são peça-chave na construção da resposta ao HIV, não só por serem população-chave para enfrentamento da epidemia, mas principalmente pelo protagonismo que têm em seu território e capacidade de disseminar informações sobre prevenção entre seus pares”, destacou o diretor substituto do DIAHV, Gerson Pereira.

A oficina teve como objetivo informar as trabalhadoras e trabalhadores sexuais sobre a PrEP e outras tecnologias preventivas que compõem a prevenção combinada, além de construir conjuntamente as melhores estratégias de comunicação e informação para que essa população conheça e tenha acesso a essa profilaxia.

“A formação e a comunicação são estratégias muito importantes para nós do movimento de trabalhadoras sexuais que estamos na luta por direitos, como o da saúde. Fico feliz que essa oficina esteja acontecendo”, disse Leila Barreto do Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará e da Rede Brasileira de Prostitutas.

SOBRE A PREP – A Profilaxia Pós-Exposição ao HIV consiste no uso diário de uma combinação de medicamentos antirretrovirais para previr a infecção pelo HIV, por pessoas ainda não infectadas com o vírus.  A PrEP não é para todos. Ela é indicada somente para populações mais vulneráveis ao HIV, entre elas as trabalhadoras do sexo. 

Durante a oficina além de esclarecerem sua as dúvidas, as participantes tiveram a oportunidade, de expor suas preocupações e esperanças em relação a PrEP.

A implementação de PrEP no SUS teve início em dezembro de 2017 em 11 estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

PREVENÇÃO COMBINADA – Além do PrEP, durante os dois dias de encontro, os participantes tiveram oportunidade de dialogar e esclarecer dúvidas com técnicos e consultores especialistas nos diversos temas que compõem a Mandala da Prevenção Combinada – uso de preservativo masculino e feminino, Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP), testagem, tratamento, redução de danos, entre outras.

Outro tema discutido, a partir da estratégia da prevenção combinada, foram as questões sociais e estruturais que permeiam essa temática, como a discriminação e estigmatização dos trabalhadores sexuais nos serviços de saúde, as condições econômicas e de trabalho dessas profissionais, autonomia sobre o próprio corpo e violência, por exemplo. Fatores que muitas vezes contribuem para que o direito à saúde das trabalhadoras sexuais seja cotidianamente violado, como lembrou Aline Lopez, jovem liderança da cidade de Santos ligada à Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais (CUTS).

INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – A discussão sobre a melhor linguagem e estratégias de comunicação para fazer chegar a informação sobre a PrEP e demais formas de prevenção ao HIV e outras IST foram a pauta do segundo dia da oficina.

Utilizando de dinâmicas, produção de vídeo e interações entre pares, buscou-se identificar a linguagem mais próxima da realidade dessas trabalhadoras e trabalhadores, considerando os diferentes contextos de vulnerabilidade e os diversos espaços em que circulam.

Entre as surpresas da oficina foi a identificação do WhatsApp como uma das principais ferramentas de comunicação utilizadas pelas trabalhadoras do sexo para disseminar entre pares as informações sobre prevenção. A ideia é que esse seja um dos canais de disseminação de informação do departamento para essa população-chave.

Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais
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