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HPV ganha destaque em audiência na Câmara dos Deputados

Cinco anos após ser incluída no Calendário Nacional de Vacinação do PNI, apesar de todos os esforços do Ministério da Saúde, Estados e municípios, a vacinação ainda está longe de alcançar a meta de 80% de cobertura.

31.10.2019 - 13:46
31.10.2019 - 13:48

Em audiência pública promovida, nesta quarta-feira (30), na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, a vacinação contra o HPV no Brasil foi tema de debate. Cinco anos após ser incluída no Calendário Nacional de Vacinação do Programa Nacional de Imunizações (PNI/SVS), apesar de todos os esforços do Ministério da Saúde, Estados e municípios, a vacinação ainda está longe de alcançar a meta de 80% de cobertura.

A médica integrante do PNI, Ana Goretti Maranhão, lamentou que ainda haja baixa procura por essa importante vacina. “A segunda dose deixa muito a desejar. Temos 52% de meninas vacinadas no país, e meninos, não chega a 25%. É necessário incrementar a divulgação da importância da infecção HPV como um problema de saúde pública e promover a importância da vacina HPV não só para as famílias, como para os adolescentes e para as equipes de saúde, responsabilidade não só do setor saúde, mas de toda a sociedade, destacando o papel dos parlamentares. É uma vacina muito segura e efetiva ”, afirmou, ao salientar que quando ofertada nas escolas em 2014 a cobertura vacinal atingiu muito mais do que 80%. Ela reiterou que vacinar o público adolescente é um desafio em todo mundo e que a vacinação em escolas, ambiente onde se encontra os adolescentes é uma estratégia utilizada pelos países que tem altas coberturas a exemplo da Australia, Portugal, Reino Unido e Chile.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Mauro Romero, as ações de vacinação contra o HPV para meninas e meninos, devem vir acompanhada por debates sobre sexualidade. “Existe uma barreira, uma dificuldade em se falar de atividade sexual. A aceitação é ruim”. Favorável a ampliação da faixa etária, mostrou o impacto da vacinação também em grupos mais velhos e foi enfático em relação ao papel indutor do Ministério da Saúde na promoção da vacinação nas escolas.

Rosane Alves, coordenadora do curso de medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), apresentou estudos que comprovam a eficácia da vacina e sua maior efetividade na faixa etária recomendada pelo Ministério da Saúde. “A proteção da vacina de HPV reduz com o aumento da idade, por isso a vacina é aplicada no adolescente antes do início da vida sexual, antes dos 15 anos. A vacina não cura a infecção adquirida”, realçou a especialista, que acredita que a ampliação da faixa etária não vale a pena. “Os benefícios não compensam os custos”, frisou. Afirmou a necessidade de se ampliar as coberturas vacinais nos adolescentes mais jovens, faixa de maior impacto.

Seja pela pouca disseminação de informações sobre as doenças que a vacina pode evitar, ou por medo de eventos adversos, Angélica Nogueira, representante da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, salientou que “temos uma ferramenta muito eficiente, mas que usamos mal. Esse não é o momento de se debater sobre a ampliação do público-alvo da vacina e sim focar em ações efetivas que possa aumentar a cobertura vacinal ao público preconizado pelo PNI”. Ela reiterou a importância da vacinação ocorrer em ambiente escolar. Para a representante da Sociedade Brasileira de Oncologia o câncer de colo do útero é um problema de saúde pública que não deveria existir mais no futuro , dada a eficiência da vacina.

A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente em mais de 36 mil postos de saúde do País, para um público de meninas de 9 a 14 anos, e meninos com idades entre 11 e 14 anos, em duas doses aplicadas com intervalo de seis meses. Além da população até 26 anos vivendo com HIV-AIDS, transplantados e pacientes oncológicos.

Incidência

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA/MS) apontam que o câncer do colo do útero é a terceira causa de câncer da mulher, atualmente, no País. São 16 mil novos casos por ano e mais de 5 mil mortes anuais em todo o Brasil. No mundo, são cerca de 300 mil mulheres mortas anualmente, portanto se configurando como um problema de saúde pública mundial.

A vacina é a principal forma de prevenção contra o aparecimento do câncer do colo de útero. Nos homens, a vacina protege contra os cânceres de pênis, orofaringe e ânus. Além disso, previne mais de 98% das verrugas genitais em homens e mulheres , doença que estigmatiza e é de difícil tratamento.

A infecção pelo HPV é contraída principalmente pela via sexual, mas também pelo contato direto com a pele, e o contágio com o HPV pode ocorrer mesmo na ausência de penetração vaginal ou anal.