EVENTO

Hepatite C é tema de mesa redonda no Medtrop 2019

Meta do Brasil é a de tratar, em média, 50 mil pacientes por ano.

06.08.2019 - 11:06
26.08.2019 - 16:08

“Do silêncio ao grito: a construção coletiva do tratamento em massa para hepatite C no Brasil” foi tema da Mesa Redonda 49, na segunda-feira (29), no segundo dia do Medtrop Parasito 2019 (55º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e XXVI Congresso da Sociedade Brasileira de Parasitologia Chagasleish), realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, entre 28 e 31 de julho.

Participaram da mesa o diretor do Departamento de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde (DCCCI-SVS), Gerson Pereira; o representante da organização Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, sigla em inglês), Francisco Viegas; e a presidente do Movimento Brasileiro de Luta Contra as Hepatites Virais (MBHV), Neide Barros da Silva.

No início de sua apresentação, Gerson Pereira lembrou a comemoração do Dia Mundial das Hepatites Virais, em 28 de julho, e destacou o lançamento recente do Boletim Epidemiológico das Hepatites Virais de 2019. A situação atual da oferta de truvada para hepatite C no país também foi tema da sua fala. “Todo o orçamento deste medicamento será do DCCI, o que vai proporcionar a melhora para o tratamento de nossos pacientes”, afirmou.

Gerson Pereira ressaltou, ainda, que o Brasil está alinhado com as metas da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a eliminação da hepatite C até 2030, que é o de diagnosticar 90% dos casos, tratando 80% desses registrados, além de reduzir o número de novos casos em 90% e de 65% a mortalidade. “Temos, atualmente, 657 mil pessoas que precisam ser tratadas. Nossa meta é a de diagnosticar e tratar 50 mil delas ao ano”.  Entre janeiro e junto de 2019 já foram atendidas 23.563 pessoas com hepatite C no país.

O cenário de incorporação de medicamentos tem como êxito, a adoção do critério de custo e minimização que está no PCDT de dezembro de 2018. “Considerando a meta de 50 mil pacientes atendidos anualmente, teremos o menor custo, o melhor esquema terapêutico que atenderá maior número de pacientes”, afirmou. “A nossa meta maior é que distribuamos mais testes a cada ano e incluir as pessoas detectadas no nosso plano de tratamento”. Por fim, frisou que é necessária a atuação local dos gestores para diminuir os casos e tratar os pacientes com a doença.

Já o representante da DNDi, Francisco Viegas, apresentou o trabalho da organização em todo o mundo e a prioridade da entidade, que é a de atuar com populações negligenciadas com leishmaniose, hepatite C e Doença de Chagas.

Com mais de 160 parceiros em todo o mundo, a DNDi negocia valores acessíveis para a compra de medicamentos junto a indústria farmacêutica. Apesar do empenho da organização, o valor cobrado pelos medicamentos ainda é um desafio a ser vencido. “Devido ao alto custo dos medicamentos, os países, de um modo geral, não têm feito esforço de testagem, o que compromete o trabalho de redução dos casos da hepatite C”, afirmou.

A busca por valores acessíveis ao paciente e a expansão do tratamento da hepatite C foram temas expostos pela presidente do Movimento Brasileiro de Luta Contra as Hepatites Virais (MBHV), Neide Barros da Silva. “Houve muitos avanços, principalmente no Brasil, mas ainda há muito a ser superado. Precisamos detectar o maior número possível de pessoas com a doença para tratar e curar, o que vai contribuir para a diminuição de casos”, destacou.