CAMPANHA

Ativistas elogiam a nova campanha do Ministério da Saúde de prevenção ao HIV/aids, informa Agência Aids de Notícias

Agência Aids de notícias ouviu ativistas sobre a nova campanha de prevenção ao HIV/aids do Ministério da Saúde. Para a maioria, as peças comunicam bem as informações sobre a prevenção combinada, numa linguagem adequada ao público jovem.

20.12.2016 - 18:55
23.01.2017 - 15:46

Laaz Silva, da Rede de Jovens Rio+: Primeiramente, eu gostaria de parabenizar o lindo trabalho que foi feito. Adorei a linguagem usada e os diálogos entre os jovens. Achei muito boa essa aproximação com o interlocutor. Falei inclusive, em um dos grupos que participo, que gostei até do fato de ter visto um ator negro na campanha. Sempre parto da premissa de que se me vejo, logo, me identifico. Claro que tem alguns pontos no vídeo que eu gostaria de ressaltar: não sei quando o vídeo foi feito, mas em alguns momentos é falado o termo DST [doença sexualmente transmissível] em vez de IST. Talvez, a campanha foi feita antes de o termo ter sito alterado. Outro momento que debatemos muito foi terem usado o termo "teste de aids", em vez de "teste de HIV". Não achei legal, até porque batemos muito na tecla de diferenciar uma coisa da outra.

 

Pierre Freitaz, da LAC+ (Rede Latino Americana e Caribenha de Jovens Vivendo com HIV): Finalmente o Departamento se comprometeu com a prevenção combinada. Espero que isso seja só o começo e eles continuem trabalhando todas as questões que causaram insatisfações nas outras campanhas. Vale destacar que ainda precisa melhorar.  A campanha tem uma linguagem heterossexual, no quesito das gírias utilizadas, em especial no casal gay. Além de centralizar na aids. As pessoas se infectam com HIV primeiro, dependendo do quadro clinico que elas desenvolvem a aids. O Ministério da Saúde tem a obrigação passar a informação correta para as pessoas, nem que para isso precise explicar o que é HIV e o que é aids.

 

José Araújo Lima Filho, do Epah (Espaço de Atenção Humanizada): Ela está muito boa. Vejo que abordam todas as formas de prevenção. Só lamento que, uma campanha como essa, está destinada ao cercadinho do YouTube e redes sociais. Ela deveria estar na grande mídia. Seria interessante que ela tivesse uma continuidade tratando de forma clara cada uma das prevenções.

 

Stefany Dias, coordenadora de projetos e liderança com a juventude na Associação e Casa Religiosa de Matriz Africana Ile Axé Dejegan Oci e Caboclo Serra Negra: Eu acredito que eles pensaram na juventude e em como levar a informação para eles. Ela está despojada e com gírias. Isso facilita o acesso à informação para os jovens de comunidade periférica. Achei um tanto renovador e acredito que eles souberam dialogar sobre a importância de se prevenir. 

 

Henrique Ávila, coordenador da RNAJVHA (Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids): Eu gostei do vídeo. Achei a linguagem interessante. Só não gostei da parte de que o casal sorodiscordante é um casal gay. Eles poderiam mostrar casais heterossexuais também.  Pois, mostrando apenas casais gays, permanece aquele estigma de que quem tem HIV é só essa população. Outra coisa, eles usaram muito o termo “teste de aids”. Nós sabemos que não é teste de aids, mas “teste de HIV”. Porque o teste detecta se você está infectado pelo HIV e não se já desenvolveu a aids. Com relação ao diálogo com o jovem, eu gostei.  

 

Américo Nunes, coordenador do Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids): O mais importante é que essa campanha fala sobre prevenção combinada e sempre reforça a importância da camisinha e do teste de HIV. Alerta também sobre as ISTs. Tem uma linguagem direta para os jovens, de forma geral, independente de questões gênero e orientação sexual.  Porém, é preciso falar mais sobre prevenção como tratamento, em razão dos efeitos adversos dos ARVs [antirretrovirais]. Parece ser simples, mas a população precisar desta informação também.

 

Carlos Henrique de Oliveira, da Rede de Jovens São Paulo+: A campanha fala basicamente do preservativo, mas apresenta também a PEP como opção de prevenção ao se ter relações desprotegidas. Isso é um avanço, pois ainda hoje existe a ideia de que propagar a PEP induziria ao sexo desprotegido, o que eu acho um absurdo. Temos que pensar por outro viés: quanto mais métodos de prevenção disponíveis, menos pessoas serão infectadas pelo HIV e também por outras IST's. É uma pena, no entanto, que a disponibilização da PrEP, pelo SUS, esteja sendo tão adiada, devido à precarização da saúde pública brasileira. O vídeo ficaria muito melhor se já tivesse a PrEP como método de prevenção.

 

Salvador Corrêa, coordenador executivo da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids): O vídeo resgata uma abordagem para a diversidade com valorização da prevenção combinada. Fiquei positivamente surpreso ao ver tantos elementos colocados em um vídeo curto. Certamente foi uma construção muito assertiva e muito alinhada com a valorização dos Direitos Humanos. Foi bom ver casais sorodiscordantes, diversidade sexual e uma mensagem muito positiva no final. Que possa inspirar novas ações como essa e que esse vídeo seja amplamente divulgado.

 

Para saber mais, clique aqui.

Típo da notícia: Saiu na Imprensa