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 DST e aids nos jornais
  Ação contra pombos
  27/05/07
  

 

Prefeito envia ao Jurídico documentos sobre contaminação de fezes de aves da Praça das Bandeiras para início de ação
 
LUCAS REIS
Gazeta de Ribeirão
lucas.reis@gazetaderibeirao.com.br

Após a confirmação de que os pombos que vivem na Praça das Bandeiras estão contamiados, conforme reportagem da Gazeta de Ribeirão na última quinta-feira, o prefeito Welson Gasparini (PSDB) se reuniu com o secretário municipal da Saúde, Oswaldo Cruz Franco, o padre Francisco Jader Zanardo Moussa, o vereador Gilberto Abreu (PV) e representantes da Direção Regional de Saúde para discutir o que a Prefeitura deve fazer para conseguir expulsar as aves do local.

"Vamos juntar toda a documentação necessária, enviar à Secretaria de Negócios Jurídicos para dar entrada em uma ação civil pública. Estávamos esperando essa comprovação para entrar na Justiça", disse o vereador. "A questão agora não é apenas ambiental, mas de saúde pública."

A confirmação dada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) de que os pombos da praça da Catedral estão contaminados por fungos do gênero Cryptococcus, que provoca a criptococose, poderá, finalmente, pôr em prática o plano da Prefeitura de afastar os pombos.

Segundo Abreu, a Vigilância Sanitária é quem vai decidir a melhor forma de afastar os pombos da Catedral. Entretanto, ele já adiantou que o abate das aves está totalmente descartado. "As autoridades sanitárias vão estudas a melhor maneira. Pode ser através de refletores luminosos, transportar as aves para outro lugar ou outra técnica", disse. Os exames foram realizados pelo Laboratório de Microbiologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.

Na última quinta-feira, o escritório regional do Ibama confirmou que os pombos de Ribeirão estão contaminados por fungos do gênero Cryptococcus, que provoca a criptococose, infeção que pode desencadear pneumonia, encefalites e meningites e pode matar.

A confirmação veio através de exames realizados com fezes dos pombos do Bosque Municipal (domésticos) e da praça da Catedral (silvestre). Nos primeiros, nada foi encontrado. Já nos pombos da Praça das Bandeiras, foi detectada a presença de colônias de Cryptococcus laurentii, variedade mais branda que o Cryptococcus neofarms.

Para a chefe do escritório do Ibama, Eliana Velocci, o resultado não pode ser considerado alarmante. "Fizeram sensacionalismo com o resultado dos exames. O Cryptococcus laurentii não é tão grave e não há comprovação da doença gerada por essa variação em Ribeirão", disse Eliana, que afirmou ter ficado "aliviada" pela ausência dos fungos do tipo neofarms, mais perigosos.

Para o Ibama, o abate das aves é uma medida que deve ser descartada. "Matar os pombos só em casos extremos", disse. "E capturar pombos é extremamente difícil. Além disso, mesmo que eles sejam levados para outro lugar, provavelmente um novo bando vai surgir, novamente, na Praça da Catedral", explicou. A comissão da Prefeitura já tentou usar um repelente de pombos, mas foi proibida pelo Ibama.

A chefe do Ibama afirmou ainda que está aguardando uma definição da Prefeitura. "Ninguém pode dizer se os pombos representam ou não um risco à população. Vamos esperar a comprovação por parte da Prefeitura", disse.

HC já tinha alertado

Antes mesmo da comprovação feita ao Ibama sobre a contaminação dos pombos de Ribeirão, o pároco da Catedral de Ribeirão Preto, Francisco Jaber Zanardo Moussa, havia recebido do médico infectologista do Hospital das Clínicas Fernando Belissimo Rodrigues um documento que relata os riscos da criptococose.

Segundo o informe assinado por Rodrigues, "os excrementos dos pombos, sendo ricos em bases nitrogenadas, constituem-se um meio de cultura muito fértil para a proliferação de fungos de variadas espécies, dentro os quais destaco os do gênero Cryptococcus. Estes fungos são facilmente encontrados em diversos tipos de solo no mundo e proliferam-se largamente nos locais habitados por aves."

A criptococose é transmitida através da inalação de partículas de fezes, nas quais os fungos se reproduzem, principalmente de pombos. Pode evoluir, por exemplo, para meningite ou pneumonia e até levar à morte.

Nas pessoas saudáveis, os casos são raros. De acordo com o médico, para as pessoas que apresentam deficiência no sistema de defesa, os riscos são maiores. "São exemplos dessas pessoas os portadores de AIDS, diabetes mellitus, linfomas, leucemias, e também aquelas que fazem uso de medicação imunosupressora (corticoesteróides, quimioterápicos), como os transplantados de órgão, os portadores de neoplasias e doenças auto-imunes". (Colaborou Igor Savenhago)

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