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 DST e aids nos jornais
  Filho de Khadafi planeja primeira Constituição para a Líbia em quase 40 anos
  22/08/07
  

Último Segundo

21/08 - 09:57 - AFP

Seif al-Islam, filho do líder líbio, Muammar Khadafi, e seu provável sucessor, pretende dar à Líbia sua primeira Constituição desde que seu pai assumiu o poder há 38 anos, ponde fim assim à carta monárquica.


O filho mais velho do dirigente esboçou na segunda-feira os pontos principais de um projeto constitucional destinado a permitir maior debate político e independência das instituições do país.

"Nosso próximo objetivo é pôr em marcha um conjunto de leis, que podemos denominar Constituição, contrato social, ou outra coisa. O importante é ter um contrato que organize a vida dos líbios", declarou Seif al-Islam em um discurso em Benghazi, 1.000 km a leste de Trípoli.

"Há várias linhas vermelhas sobre as quais devemos nos colocar de acordo", disse Seif al-Islam, citando nesta ordem: "o islã e a aplicação da lei islâmica (...), a segurança e a estabilidade da Líbia, a unidade do território nacional e Muammar Khadafi".

As leis devem garantir também a independência do Banco Central líbio, da Corte Suprema, dos meios de comunicação e da sociedade civil, declarou Seif al-Islam diante de uma multidão de mais de 40.000 pessoas.

O filho de Khadafi pediu um "diálogo nacional que englobe todo o povo líbio para alcançar o quanto antes possível a fórmula ideal" para redigir uma Constituição, ao mesmo tempo em que expressou seu compromisso com a "democracia direta" defendida por seu pai.

A Líbia celebrará no dia 1º de setembro o 38º aniversário da derrubada, em 1969, da monarquia por um grupo de oficiais, liderado pelo coronel Khadafi. O líder militar aboliu a Constituição de 1951, que tornava a Líbia uma monarquia constitucional.

Uma Constituição provisória foi substituída em 1977 pela "Declaração sobre a instituição do poder do povo", que possui quatro artigos.

Seif al-Islam destacou a necessidade de se levar o diálogo político para mais além dos comitês populares. Na Líbia, qualquer debate político é proibido fora destes comitês.

Também defendeu a ampliação dos poderes do primeiro-ministro para que, por exemplo, tenha a possibilidade de eleger seus ministros, o que hoje é uma incumbência dos Comitês populares.

Seif al-Islam, de 35 anos, nega ter ambições políticas, mas o certo é que participou de várias crises e é bem visto internacionalmente, sobretudo desde que anunciou em 2003 que a Líbia deixaria o programa de armas de destruição em massa.

Também estabeleceu o pagamento de indenizações às vítimas dos atentados aéreos ocorridos em Lockerville (Escócia) em 1988 e de outro avião francês no norte da África um ano depois.

Neste mesmo ano, Seif al-Islam participou ativamente das negociações que possibilitaram a libertação de cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestino condenados à morte na Líbia por terem supostamente inoculado o vírus da Aids em centenas de crianças. 

O filho mais velho de Khadafi preside também a Fundação Khadafi para o Desenvolvimento e a Sociedade Líbia do Crescente Vermelho, que deram a ele uma imagem de pessoa comprometida com causas humanitárias.

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