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 DST e aids nos jornais
  Aborto e eutanasia são crimes
  27/05/07
  

Jorge Eduardo Antunes


Duas discussões sobre a vida entraram em pauta no País. Em ambas, há a indispensável controvérsia e a necessidade de um amplo debate na sociedade. A legalização do aborto e a permissão para a eutanásia, volta e meia, ressurgem como assuntos da moda. Mereciam um tratamento melhor. São temas importantíssimos e toda a sociedade, e não apenas um grupo restrito de parlamentares, movidos sabe-se lá Deus por quais interesses, deve discuti-la e chegar não a um consenso, mas ao respeito em relação à  opinião da maioria, que vai balizar as normas de conduta a seguir.

Desta forma, ouso dar a minha opinião sobre os dois temas, como cidadão. Sou contra ambos. E mais: acredito que tanto a eutanásia quanto o aborto são homicídios disfarçados de "causas humanitárias" por seus defensores. Pior: são crimes praticados contra pessoas sem chance de defesa ou capacidade para protestar contra a violência perpetrada.

Vou começar pelo aborto. Salvo os casos em que a vida da mãe está ameaçada – e aí deve prevalecer o bom senso de deixar viver quem tem filhos a criar e uma vida plenamente consolidada –, ele é um crime em qualquer uma das outras hipóteses. O aborto como ferramenta de controle da natalidade chega a ser um crime de Estado, e é surpreendente que qualquer ministro venha a público defender esta prática. Só falta, depois, fazer campanha pela pena de morte.

Nem mesmo em casos de estupro o aborto deve ser autorizado pela Justiça, como hoje a lei prevê. Se a gravidez é fruto de violência sexual, que se puna com todo o rigor o criminoso, homem indigno de conviver em sociedade. O que não é tolerável é que se execute uma de suas vítimas, a criança, que não tem culpa do gesto tresloucado do agressor. Que o Estado, que foi incompetente ao garantir a segurança, trate os danos psicológicos causados à mãe, à família dela e, se preciso, à própria criança. Que sejam dadas condições para que o bebê seja adotado e que a mãe sequer precise vê-lo, se assim desejar. Mas que não se autorize o crime em nome de uma justiça de Talião que punirá com o olho e o dente o mais puro inocente.

A eutanásia, da mesma forma, é um homicídio com aspectos pseudo-humanitários, mas que esconde em si o desejo de abreviar a vida de outrem, seja a pedido ou não. Se é a pedido, trata-se da criminosa oficialização do suicídio, uma prática abominável. Se é feito por profissionais de saúde sob alegação de "piedade", esconde, muitas vezes, interesses econômicos nos espólios dos falecidos ou dos hospitais em manter doentes terminais, desinteresse da medicina por achar a cura de doenças debilitantes e, o que é pior, uma vontade imensa de ser Deus, tomando o lugar daquele que é o único proprietário da vida humana – da minha, da sua e da de todos que estão neste planeta, no exato momento em  que você lê esta opinião.

Se queremos um mundo melhor, podemos começar a construí-lo pela intolerância aos crimes contra a vida. Por isso, é mais do que necessário rejeitar a oficialização do aborto e da eutanásia.


Jorge Eduardo Antunes é Editor-chefe do Jornal de Brasília

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