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Carnaval e aids: atenção aos riscos
Margaret Hosty
O Ministério da Saúde divulgou no final de dezembro do ano passado o Boletim Epidemiológico de dst/aids. O boletim traz para toda a sociedade e para as diversas organizações que trabalham com o portador do vÃrus uma boa notÃcia. A mortalidade pela doença caiu no PaÃs. O Ãndice em Goiás é de 3,6 óbitos por 100 mil habitantes. É uma taxa considerável se levarmos em conta a média nacional de 6,1 por 100 mil. Continuamos a experimentar e acompanhar o sucesso do coquetel - a combinação de medicamentos para portadores do vÃrus hiv/aids. Realmente desde a introdução do coquetel, em 1998, menos pessoas estão morrendo por causa da aids. Esta é especialmente a situação das classes mais favorecidas.
Não podemos esquecer que há mais pessoas vivendo com hiv/aids do que nunca - no mundo, no Brasil e em Goiás. De acordo com os dados divulgados pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o hiv/aids (Unaids), 2005 bateu o 'recorde em novos casos de infecção, ultrapassando os 5 milhões, o que significa que em cada dia mais de 13 mil contraÃram o vÃrus'. No Brasil, cerca de 650 mil pessoas vivem com hiv/aids. A situação de pobreza, a falta de informação e prevenção aumentam a vulnerabilidade, sem dizer que é a causa dos óbitos relacionados com a epidemia.
A Associação Grupo aids: Apoio, Vida, Esperança (Grupo Aave) é uma ONG que acompanha e dá apoio a quase 300 famÃlias, todas com pelo menos um membro portador do vÃrus hiv. Para nossos usuários oferecemos vários cursos, oficinas, serviços e atividades, sempre tendo em vista a pessoa com aids. Concordamos que quem tem o vÃrus hiv hoje, tem uma melhor perspectiva de vida do que nos primeiros anos da epidemia e que a aids tornou-se uma doença crônica. Porém, a aids acarreta uma série de dificuldades e desafios especialmente para quem é pobre. E apesar de a saúde pública disponibilizar o medicamento, a falta de dinheiro para locomoção, a baixa instrução para manipulação dos componentes do coquetel e a falta de acondicionamento adequado na residência impedem que essas pessoas possam fazer o tratamento devido. Em todas nossas ações tentamos contribuir para o auto-sustento e a auto-estima do portador de hiv porque sabemos que isso é difÃcil. Nossa preocupação continua sendo em relação ao número de pessoas que vivem e convivem com hiv/aids, com o estigma que as segregam, com a discriminação e à s vezes condenação que elas encontram, com os rótulos que elas recebem, com as demandas financeiras que continuam a aumentar em suas vidas por causa do vÃrus, com a falta de medicamentos e/ou exames que elas têm de enfrentar.
Viver com hiv, especialmente para quem é pobre e desempregado, é difÃcil. É importante, sim, reconhecer a contribuição da medicina na diminuição das mortes relacionadas à aids, mas não é a hora de reduzir nossos cuidados ou abandonar nossa vigilância. Também, não devemos confundir os fatos. O carnaval é tempo de fantasia, tempo de lazer e divertimento. Mas nunca podemos esquecer da nossa responsabilidade de cuidar da vida e não colocá-la em risco, porque não é fácil viver com hiv/aids.
Margaret Hosty é coordenadora do Grupo aids: Apoio, Vida, Esperança (AAVE) e assessora da Pastoral da aids da Arquidiocese de Goiânia
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