Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

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Enquanto a medicina avança na pesquisa de novos medicamentos contra a Aids, o medo de contrair a doença diminui. É por isso que na semana passada a Organização das Nações...

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Mesmo assim, surge um novo surto do vírus na América Latina  
 
Enquanto a medicina avança na pesquisa de novos medicamentos contra a Aids, o medo de contrair a doença diminui. É por isso que na semana passada a Organização das Nações Unidas (ONU) fez um alerta sobre o novo surto de contaminações na América Latina. Estima-se que na região exista 1,6 milhão de portadores do vírus HIV. Destes, 140 mil foram infectados em 2005.


O primeiro-secretário da Sociedade Brasileira de Infectologia, Juvêncio Furtado, admite que o tratamento contra a Aids progrediu muitos nos últimos dois anos, mas ressalta o perigo dos efeitos colaterais provocados pelas drogas. 'Se por um lado os remédios fazem com que o paciente viva mais, por outro transmitem uma falsa sensação de segurança. O risco de sofrer doenças cardiovasculares, por exemplo, aumenta de três a seis vezes', diz. Segundo o médico, pessoas tratadas com antiretrovirais também estão mais sujeitas a ter diabetes e outras anormalidades metabólicas. 'Alguns pacientes apresentam ainda alterações nos depósitos de gordura do corpo, gerando deformidades como atrofia do rosto, corcova e barriga proeminente. Além disso, nos preocupa o desenvolvimento de resistência no vírus. Há pessoas que aparecem para se tratar portando o vírus já resistente', explica Furtado.


Entre as novidades farmacológicas na cruzada contra a Aids está um prático comprimido para ser tomado como dose única e diária. O remédio seria um substituto para as três pílulas que hoje são prescritas para os doentes. Desenvolvido em parceria pela Gilead e Bristol-Myers Squibb, o medicamento deve estar disponível na América até o final do ano.


Confirmada a origem do HIV


Sudeste da República de Camarões, início do século 20. Foi lá que o vírus da Aids, o HIV, passou dos macacos para os seres humanos, dando início à pandemia global que já matou mais de 20 milhões de pessoas, segundo um estudo publicado na revista 'Science'. Pela primeira vez, os cientistas conseguiram detectar a presença do vírus em uma população selvagem de chimpanzés, comprovando a teoria de que foram eles que transmitiram o HIV para o homem.


Os pesquisadores rastrearam dez populações de chimpanzés da região sul de Camarões e descobriram que várias apresentavam infecção pelo SIV cpzPtt, a forma do HIV em macacos que é mais próxima geneticamente do vírus da Aids no homem. A sigla significa vírus da imunodeficiência simiesca (SIV) de chimpanzés (cpz) da espécie Pan troglodytes troglodytes (Ptt) - uma das quatro subespécies de chimpanzé africano. Até agora, o vírus só havia sido detectado em animais de cativeiro.


Mas estudos moleculares indicam que a passagem do chimpanzé para o homem teria ocorrido na década de 30, por meio de algum caçador, segundo o virologista Marcelo Soares. Nesse intervalo, o vírus poderia ter ficado 'escondido' em populações isoladas, até que conseguisse se disseminar pelo planeta. É possível que haja cepas ainda mais virulentas do SIV em outras espécies de macaco, esperando uma oportunidade para infectar novos hospedeiros.


Cientistas detectam transmissor


Análises epidemiológicas e genéticas, segundo os cientistas, estabelecem definitivamente o P. t. troglodytes como um reservatório natural do HIV e, muito provavelmente, como a espécie que transmitiu o vírus para o homem. 'Ali é o epicentro da epidemia', disse o virologista Marcelo Soares, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que fez doutorado com a coordenadora do projeto, Beatrice Hahn, na Universidade do Alabama em Birmingham, nos EUA. 'A probabilidade de haver um vírus mais próximo do HIV do que esse é muito baixa'.


O SIV encontrado no estudo, segundo ele, é mais parecido com o HIV-1 do que o próprio HIV-2 (outra linhagem do vírus que infecta seres humanos, mas está restrita ao continente africano) O caso mais antigo conhecido de infecção humana pelo HIV é de 1959, de um marinheiro que havia passado pelo Congo (país vizinho de Camarões). A epidemia, de fato, só começou a ser percebida na década de 80, nos EUA.


Casa Dia atende 1.600 pacientes


Em Belém, o atendimento aos portadores do HIV é feito pelo Centro de Atenção e Saúde a Doenças Infecciosas Adquiridas (Casa Dia), pelo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e pela Unidade Referência em Doenças Infecciosas e Parasitárias (Uridip), esta especialista em testagem e acompanhamento de portadores do vírus. Há ainda o serviço de aconselhamento e prevenção em todas as unidades de saúde municipais. Atualmente, a Casa Dia atende a mais de 1.600 pacientes inscritos. Destes, 550 seguem o tratamento com o coquetel de medicamentos antiretrovirais, enquanto os demais realizam o acompanhamento da evolução da doença por intermédio de exames de carga viral, que indicarão o momento adequado de se iniciar a medicação. Mensalmente a Casa Dia recebe visitas de representantes de laboratórios, inclusive do Bristol-Myers Squibb, responsável pela nova droga que deverá substituir os três medicamentos do coquetel antiretroviral.


'Procuramos sempre melhorar o atendimento aos portadores de HIV. A partir de julho, faremos o atendimento domiciliar terapêutico aos pacientes impossibilitados de ir até a Casa Vida. Além disso, temos um hospital com nove leitos, exclusivo para o atendimento dos portadores de HIV. Funciona das 7h às 19h, na própria sede da Casa Vida', informa Francisca Vidigal, gerente da Casa Dia, acrescentando que o número de portadores do vírus HIV em Belém é de dois homens para cada mulher. 'Felizmente, estamos conseguindo diminuir o número de transmissões verticais, que acontecem de mãe para filho, graças a prioridade na testagem de mulheres no exame pré-natal'.


CTA faz teste gratuito em Belém


Em Belém, quem quiser fazer o teste de HIV deve se dirigir ao Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), à Avenida Padre Eutíquio, em frente a Praça da Bandeira. Primeiro é feito o aconselhamento coletivo, com informações gerais sobre métodos preventivos contra o HIV, e o individual, que consiste em uma investigação epidemiológica (última relação sexual sem preservativo, número de parceiros nos últimos anos e as relações sexuais desprotegidas, tipo de comportamento sexual, uso ou não de drogas, ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis). Depois é coletado o sangue para os testes que diagnosticarão a infecção pelo HIV. No CTA, o teste anti-HIV é anônimo e gratuito. Em caso de resultado positivo, o teste é realizado novamente para confirmação do diagnóstico. Caso seja confirmado, o paciente é encaminhado a Casa Dia, onde receberá tratamento e exames laboratoriais gratuitos, e consultas especializadas na rede pública. 'O principal objetivo dos centros de testagem e aconselhamento é orientar a pessoa para que continue a ser HIV negativo, e não apenas realizar diagnósticos. Por isto o trabalho de aconselhamento é importante', completa Vidigal.

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