Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

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Descoberta do agente causador da sífilis faz 100 anos, mas doença ainda é um problema de saúde pública

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A descoberta pelos alemães Erich Hoffmann (1868-1959) e Fritz Schaudinn (1871-1906) da bactéria Spirochaeta pallida, depois denominada e conhecida como Treponema pallidum, faz hoje (03/03) cem anos. Mesmo depois desse tempo e da descoberta da penicilina (1928), e do uso desse antibiótico no tratamento da doença, a sífilis ainda é um grave problema de saúde pública.

Principal doença sexualmente transmissível (DST) depois da aids, a sífilis é considerada prioridade pelo Ministério da Saúde, que desenvolve ações por meio do Programa Nacional de DST e Aids (PN-DST/Aids). Tanto que foi associada à campanha realizada em 2004 no 1 º de Dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, nas peças publicitárias que abordavam a oferta dos testes de aids e sífilis na gravidez e que tiveram a mulher como tema. Mesmo com testes gratuitos e tratamento fácil e acessível, a sífilis em gestantes têm três vezes mais incidência que a aids.

Cerca de 1,1% da população brasileira ¿ em torno de 937 mil pessoas ¿ é infectada pela sífilis todos os anos, conforme estimativas do Ministério da Saúde. Estima-se que aproximadamente 60 mil gestantes (1,7% das mulheres grávidas) são portadoras da infecção. O grande perigo nesse caso é a transmissão para o bebê durante a gravidez. Embora o tratamento seja simples, cerca de 70% das gestantes infectadas transmitem a doença aos bebês, pois não fazem o tratamento adequado. A sífilis na gestação pode causar graves problemas de saúde na criança ou levar ao abortamento. Para reverter esse quadro, o Ministério da Saúde tem investido em ações que ampliem o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.

Perfil - Também conhecida como lues, a sífilis é uma das mais perigosas doenças sexualmente transmissíveis. Atinge principalmente pessoas na faixa etária com maior atividade sexual: dos 15 aos 49 anos de idade. No início, após a contaminação, é comum aparecer uma lesão (feridinha) geralmente única, indolor e nos órgãos genitais chamada de cancro duro. Se não tratada, a sífilis evolui e pode atingir praticamente todos os órgãos do corpo.

A transmissão acontece principalmente pelo contato sexual e através da placenta. A contaminação da mãe para o feto ¿ a sífilis congênita ¿ ocorre em qualquer momento da gestação. ¿É importante tratar qualquer DST para se evitar complicações, portanto todo sinal ou sintoma diferente, observado nos genitais, deve ser motivo para busca por assistência. Entretanto, a sífilis em gestantes tem sido priorizada pelo grande risco da transmissão vertical, ou seja, da mãe para o bebê, e seu diagnóstico deve ocorrer durante o pré-natal e não somente no momento do parto¿, explica o responsável pela Unidade de Doenças Sexualmente Transmissíveis do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Valdir Monteiro Pinto.

Conseqüências ¿ O não tratamento da sífilis em gestantes oferece grandes riscos para a saúde do bebê. A doença pode causar aborto, parto prematuro e a natimortalidade. Mesmo nascendo aparentemente saudável, a criança tende a desenvolver problemas de saúde nos primeiros anos de vida. Os agravos causados pela sífilis incluem o baixo peso, o aumento do fígado e do baço, lesões de pele, alterações respiratórias, surdez, deformações ósseas e dificuldade de aprendizado.

Devido à importância do pré-natal para prevenção da sífilis congênita, o Ministério da Saúde desenvolve estratégias para o aumento da cobertura desse tipo de atenção, como a oferta de testes e o tratamento da doença, realizados gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento é feito em regime ambulatorial, com as doses de antibiótico estabelecidas de acordo com o consenso terapêutico definido pelo Programa Nacional de DST/Aids. ¿Tão importante quanto tratar a paciente é tratar seu parceiro. Se ambos não fizerem o tratamento completo, não se considera como tratados¿, alerta o médico do PN-DST/Aids.

Alguns obstáculos dificultam o combate à sífilis no País. Um deles ainda é a carência de pessoal capacitado para o diagnóstico e o tratamento. No entanto, o Ministério da Saúde constata que nos últimos anos os municípios vêm investindo em ações de capacitação. Valdir cita, ainda, o preconceito em relação às DST e à sexualidade como barreira para o tratamento dos parceiros. Outro empecilho é que algumas fases da doença são assintomáticas, o que dificulta a procura do diagnóstico pelo paciente. A informação ainda é uma das principais armas contra a sífilis. Auto-medicação e tratamentos sem acompanhamento de um profissional de saúde não são recomendáveis pois podem trazer problemas para a saúde do paciente e criar resistência aos medicamentos.

Fases - O período de incubação da sífilis varia de 10 a 90 dias, com média de três semanas. É na fase primária da doença que surge o cancro duro, uma úlcera indolor que desaparece em poucos dias, com ou sem tratamento. Esse desaparecimento não significa a cura da infecção. No período secundário ¿ de seis a oito semanas após a infecção ¿, o paciente costuma apresentar erupções cutâneas chamadas de roséolas sifilíticas. Se não forem tratadas, essas erupções continuam aparecendo em um período de dois a três anos. Também nessa fase, os pacientes podem sofrer de anemia grave, queda de cabelo e apresentar placas na boca e na faringe e até pústulas e nódulos.

No período terciário os sinais e sintomas geralmente ocorrem após 3 a 12 anos de infecção, em casos não tratados. Nessa fase, surgem lesões principalmente na pele, mucosas, ossos, vísceras, sistema cardiovascular e sistema nervoso central. A sífilis cardiovascular em geral é letal, pois compromete esse sistema do corpo humano. Já a neurosífilis pode provocar meningite. A sífilis congênita é conseqüência da disseminação do Treponema pallidum pela corrente sangüínea da gestante. Nessa, o risco de transmissão é maior em mulheres na fase primária ou secundária da infecção.
A única forma de prevenção da sífilis é a prática de sexo seguro, caracterizada pelo uso do preservativo.

Mais informações:
Programa Nacional de DST e Aids
Assessoria de Imprensa
Telefones: (61) 448-8100 / 8088
Fax: (61) 448-8090
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