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CPI da Prostituição Infantil indicia 20 políticos

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BRASIL

Relatório cita 250 envolvidos, entre eles magistrados, líderes religiosos e empresários

BRASÍLIA - A relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a exploração sexual infantil, deputada Maria do Rosário (PT-RS), anunciou ontem à noite o indiciamento de 250 pessoas em todo o país. A lista de acusados de exploração sexual de menores inclui 20 políticos, quatro juízes, três pastores evangélicos e dois pais-de-santo. O relatório será apreciado pela comissão.

Um dos indiciados mais famosos é o vice-governador do Amazonas, Omar Aziz (PFL). Ele é acusado de aliciar uma adolescente no Estado e ainda de tentar interferir na investigação para desbaratar uma rede de prostituição ligada a uma cafetina do Estado. O nome do vice-governador, segundo a CPI, consta da agenda da cafetina.

A deputada Maria do Rosário afirmou ontem à noite, antes de divulgar o relatório, que não admitiria pressões para mudar o texto ou retirar algum indiciado da lista. Omar declarou à imprensa do Amazonas que é inocente. Atribuiu a denúncia a motivos políticos.

A lista de indiciados inclui os prefeitos de Goiás (GO), Boadyr Veloso, e do município de Pompeu (MG), Francisco Guimarães. Constam ainda os nomes dos deputados estaduais Camilo Figueiredo (MA) e Vital do Rêgo (PB). Há 12 vereadores de vários Estados acusados. Um deputado federal da Paraíba seria citado ontem à noite.

A deputada também indiciou dois pais-de-santo e três pastores evangélicos. Um dos acusados é o pastor evangélico Davi Moreira Filho, da Igreja Deus é Amor, em São Paulo.

Trinta empresários e cinco médicos também fazem parte da lista. Entre os juízes suspeitos estão Caio César Barbosa, de Manaus (AM), e José Eduardo Lima, de Baieyx (PB). Na Paraíba, a CPI indiciou a vovó Antônia Conceição, acusada de aliciar a neta, de 12 anos. O ex-atleta Zequinha Barbosa figura no relatório da CPI.

Das 250 pessoas, pelo menos 70 já tinham processos na Justiça por envolvimento com exploração sexual. Após a aprovação do relatório pelos parlamentares da CPI, a deputada pretende enviar um pedido ao Ministério Público Federal para tomar as medidas legais.

- A exploração sexual no Brasil é um crime que tomou proporções de epidemia - conclui Maria do Rosário.

O trabalho da CPI, na opinião da relatora, é apenas a ponta do iceberg de uma rede de prostituição que envolve milhares de crianças e adolescentes. A deputada incluiu no relatório várias sugestões de alteração do Código Penal, endurecendo a punição para estupro de menores. As penas para exploração sexual ficam aumentadas se o agressor for parente da vítima.

O trabalho da CPI também confirmou que Manaus é o ''epicentro'' de várias rotas de prostituição infantil, inclusive para o envio de adolescentes para o exterior. As operações da polícia para reprimir a exploração sexual infantil, diz a deputada, são insuficientes para coibir a ação dos bandidos.

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