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Chá e ervas nativas na hora do nascimento

Conteúdo extra: Galeria de fotos

25/10/03 BRASIL

As técnicas que as parteiras tradicionais usam ainda são um mistério. Na Amazônia, elas utilizam ervas nativas para anestesiar as gestantes. Em Goiás, fazem chá de folha de algodão para a paciente beber minutos antes do parto. A tradição continua firme e forte.

Sinézia dos Santos, 79 anos, é parteira há 49. Aprendeu as técnicas artesanais de dar à luz com a bisavó, que fazia partos em escravos. Hoje, ensina a neta Josina dos Santos, de 20 anos, que já manifestou vocação para parteira tradicional.

A velha senhora tem o corpo franzino. Mora em Terezina de Goiás e faz parto por prazer. Como todas as parteiras tradicionais, não cobra pelo serviço. Para sustentar a casa e dois filhos, trabalha na roça plantando arroz, feijão e milho. ''Às vezes, penso que fazer um parto é um dom de Deus. Nunca um bebê morreu nas minhas mãos depois de nascido'', orgulha-se.

Mães de umbigo

O trabalho das parteiras tradicionais vai muito além do ato de dar à luz. Elas dão conselhos, ensinam a cuidar do bebê e ainda por cima acompanham os primeiros meses de vida das crianças que trouxeram à vida. Nas comunidades distantes, como nos municípios da Amazônia, elas são chamadas de mãe de umbigo. Há casos no sertão pernambucano em que as parteiras adotam os filhos porque as mães não têm condições de criá-los.

Dona Zinézia nunca adotou filhos alheios. Teve dez e todos nasceram pelas mãos de parteiras tradicionais. Para não esquecer, ela anota num caderno todos os partos que fez. Até agora foram 853. O que mais chocou a velha senhora foram cinco bebês que nasceram mortos.

Técnica aprimorada

Referência como parteira tradicional no Amapá, Balbina Loureiro Dias, 48 anos, nunca abandonou o emprego de professora. Conseguiu conciliar a sala de aula com o trabalho de parteira e chegou a fazer até um curso de enfermagem para aprimorar as técnicas do parto caseiro. Até hoje, Balbina fez 404 partos. ''Há dias em que as pessoas batem na minha porta de madrugada'', relata. O parto mais emocionante que ela fez foi numa senhora que deu luz a gêmeos. ''No interior, as grávidas não fazem ultra-sonografia. Foi uma surpresa saber que havia um segundo bebê numa moça de 24 anos'', conta.

Geralda Martins Soares, 63 anos, fez o primeiro parto há 47. Tinha apenas 16 anos. A parteira profissional era a mãe de Geralda, que estava fora de casa quando chegou uma grávida sentindo contrações. Inexperiente, teve de atuar sozinha no parto. A gestante já havia tido três filhos com a mãe de Geralda. ''Lembro-me que foi a grávida quem disse o que eu tinha que fazer. Ela ficou de joelhos, e pediu para eu aparar o bebê com uma toalha. Depois, eu mesma cortei o cordão umbilical. A partir desse parto, não parei mais. Já fiz mais de 1,2 mil'', conta. (UC)

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