Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais

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Para combater a aids é preciso garantir o Estado laico

Participação de organizações da sociedade civil no desenho de estratégias locais é essencial para uma boa resposta à epidemia de aids

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Garantir que o Estado seja realmente laico em todos os países da América Latina para que suas políticas públicas não sejam influenciadas por dogmas religiosos é um dos desafios que se colocam para a eficácia das estratégias de combate à aids no continente. Esta foi uma das principais questões levantadas nesta quarta-feira no painel que debateu a articulação multissetorial na resposta dos países à epidemia no VI Fórum Latino-americano e do Caribe em HIV-Aids.

“Urge lutar para a retomada do Estado verdadeiramente laico porque em muitos países estamos vendo como o fundamentalismo religioso – dos pentecostais no Brasil ou dos católicos em muitos países hispano-americanos católico -- prejudicar seriamente o combate à aids”, disse Pedro Chequer, representante do Programa das Nações Unidas para o HIV/aids (Unaids) no Brasil.

Norman Gutiérrez, do Centro para a Educação e Prevenção da Aids, da Nicarágua, concordou lembrando que, em seu país, muitos funcionários da saúde norteiam suas práticas por crenças religiosas pessoais que contrariam as estratégias de prevenção ou tratamento preconizadas. “O combate à aids exige mais que boas diretrizes técnicas, é preciso uma mudança cultural, compreender e reeducar hábitos, o que só será possível com intensa participação das organizações sociais, sobretudo daquelas que representam os grupos mais vulneráveis”, frisou Gutiérrez.

Exatamente por isso, o debate destacou a necessidade de se fortalecer em cada país uma instância nacional multidisciplinar responsável por articular as organizações da sociedade civil, as autoridades nacionais da área de saúde, as agências internacionais de financiamento e o setor acadêmico, responsável pela formação dos profissionais de saúde. Esta instância estabeleceria as diretrizes das políticas de combate à aids e para onde deveriam ser direcionados os recursos. O debate também destacou a necessidade de que as estratégias de prevenção e tratamento levem em conta não apenas o perfil epidemiológico geral da doença em cada país, mas as especificidades locais, tanto culturais como da epidemia. 

“Por isso é essencial a intensa participação das organizações sociais no desenho de políticas locais de combate à doença”, frisou Chequer, lembrando que essas organizações são importantes não só para a percepção de hábitos que podem favorecer a doença, como para decidir as melhores estratégias de comunicação para atingir os públicos mais vulneráveis. “É essencial integrar gente desses grupos na implementação das ações, por exemplo, na acolhida dos pacientes nos serviços públicos de saúde”, completou.

Os dois palestrantes destacaram o envolvimento das organizações da sociedade civil no desenho e implementação das políticas de combate à aids como essencial para garantir a eficácia tanto da prevenção como do tratamento, já que ambos dependem não só de boas diretrizes técnicas como também das mudanças de hábitos e da superação de preconceitos e estigmas. “Para isso é essencial uma boa articulação entre essas organizações, as autoridades de saúde dos governos nacionais, as agências internacionais de financiamento e o setor acadêmico, responsável pela formação dos profissionais de saúde”, disse Gutiérrez.

Por Simone Mateos, da Ascom do MS

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