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Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

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Espírito Santo

Assembleia promove debate sobre o Dia Mundial de Luta Contra a Aids

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostra que 40% da mortalidade dos infectados pelo vírus HIV estão associados ao diagnóstico tardio, lamentou o deputado Doutor Hércules (PMDB), na abertura da sessão especial proposta por ele para marcar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids.

O debate aconteceu na noite desta quinta-feira (1º) no Plenário Dirceu Cardoso da Assembleia Legislativa (Ales). Mais de 200 mil portadores no Brasil desconhecem que têm o vírus, continuou o deputado, que exerce a Medicina há 33 anos. A epidemia ainda não terminou, mas o fim pode estar próximo se os países investirem de maneira inteligente, principalmente em pesquisas, avaliou.

Acatando sugestão do diretor do Conselho Nacional de Saúde, José Marcos de Oliveira, Doutor Hércules anunciou que vai atuar junto aos colegas parlamentares para criar uma frente parlamentar de combate a Aids. E salientou que o poder público pode contribuir para diminuir o preconceito e conscientizar a população de que esta é uma doença que não escolhe grupos e ainda mata.

José Marcos de Oliveira foi o palestrante da noite. Soropositivo para HIV há 25 anos, nunca desenvolveu a doença, mas conviveu com o preconceito que, garante, ainda persiste. Na época, foi expulso de casa e perdeu o emprego, mas prosseguiu com sua vida normalmente. Lamentou que na sociedade atual os interesses econômicos estão acima dos sociais. Por isso, os movimentos de luta contra a Aids buscam justamente incrementar as políticas públicas.

Segundo José Marcos, a resposta governamental vem de uma provocação da sociedade civil, daí a importância de uma frente parlamentar para promover os debates. José Marcos lembrou os primeiros casos da doença, detectada na década de 80, quando foi erroneamente chamada de “peste gay”, postura que fortaleceu uma linha de preconceito e discriminação.As primeiras entidades da sociedade civil surgiram em 1985, e na época os antirretrovirais eram extremamente caros.

A Aids era uma sentença de morte na década de 80. Com o passar do tempo, avanços significativos foram feitos – como a quebra de patentes dos remédios, tornando-os mais acessíveis. Mas, segundo José Marcos muitas coisas daquele momento ainda são atuais. Por isso, é preciso rever tudo e detectar onde não conseguiram avançar. Hoje não há mais grupos de risco, todos estão sujeitos à doença, e as mulheres estão se infectando dentro das suas próprias casas.

A coordenadora estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis – DST/ES, Lúcia Helena Mello de Lima, mostrou como o Estado vem monitorando a doença. No Espírito Santo, a média é de 16,6 casos por cada grupo de 100 mil habitantes. Lucia Helena alertou para o aumento de casos entre os jovens, os que não viram o início da doença e sua mortandade na década de 80.

Evandro Ferrete, presidente do Fórum de ONGs Aids do Espírito Santo, disse que é imperioso reduzir as desigualdades regionais com relação ao atendimento dos infectados – diagnóstico, tratamento e assistência digna. Ponderou que a desigualdade, associada à interiorização da doença, tem provocado um quadro de profundo abandono social e dificultando o acesso do doente ao tratamento.

De acordo com Evandro Ferrete, há pessoas que têm HIV, necessitam se deslocar para receber o tratamento, mas vivem em extrema pobreza em localidades do interior do Estado. As organizações não-governamentais tentam preencher a lacuna deixada pelo poder público, mas sobrevivem com poucos recursos. O médico José Américo Carvalho, da Sociedade Brasileira de Infectologia, comemorou que o País está em primeiro lugar no estudo da doença. E ainda que, esta semana, foi anunciada a vinda de cientistas de outros países, transformando o Brasil em uma escola sobre o tema.

Aída Bueno Bastos / Web Assembleia Legislativa de Espírito Santo

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