No final de outubro de 2004, o Conselho Nacional de Combate à Sida lançou o segundo plano estratégico de combate ao HIV/Aids para os próximos cinco anos. Pretende, entre outras medidas, assumir o controle do dinheiro que chega ao país e das ações praticadas por instituições e governos estrangeiros. Um plano de comunicação, a ser concluído em breve, quer unificar as mensagens das diferentes campanhas de prevenção. “Pelo menos vontade política, o governo está demonstrando”, reconhece Telva Barros, da Unaids.
A província de Nampula, no norte do país, tem oficialmente um dos índices mais baixos de prevalência do HIV, com 8,1% da população infectados pelo vírus. Roberto Paulo Nelson, que representa na região a Monaso, uma rede que reúne organizações moçambicanas que lutam contra a aids em todo o país, não acredita nesse número. “Os costumes aqui, da poligamia aos múltiplos parceiros, fazem pensar numa taxa muito maior”, acredita. A província, uma das mais populosas, tem apenas três centros de aconselhamento e testagem voluntária.
Sem nenhum planejamento, Paulo Nelson diz que o governo repassa as verbas maiores e rotuladas como de emergência para as grandes ONGs financiadoras, que não precisam prestar contas de seus gastos. Somente projetos menores, de custo inferior a 5 mil dólares, são decididos com a participação de grupos comunitários. “Somos integrantes do conselho, mas na hora de decidir para onde vai o dinheiro, não somos chamados”, diz Ana David, integrante da Monaso nacional.