Um saco de milho

A Kindlimuka fica na rua Dionísio Ribeiro, bairro de Malhalgalene, região central de Maputo. O grupo começou em 1996, com dez fundadores. Seis deles já morreram, mas os associados são 370 e a cada dia aparecem outros. “Toda vez que sou entrevistado no rádio ou na TV, que digo que sou doente de Aids e que estou bem, mais pessoas aparecem aqui na associação”, diz o presidente Arlindo Fernandes.

A dificuldade, além do acesso aos medicamentos contra a Aids, é conseguir alimentação mínima para que o remédio faça efeito. Segundo Arlindo, o Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas está firmando um convênio para oferecer um saco de milho, um saco de farinha de soja e cinco litros de óleo a cada doente em tratamento. “Pilando o milho, que é um bom exercício, faz-se uma papinha ou prepara-se a chima, uma massa de farinha com água muito nutritiva”, ensina.

As centenas de órfãos cuidados pela associação não têm a mesma sorte. A cesta básica oferecida por algumas instituições, além de irregular e insuficiente para todos, não inclui leite em pó. Para completar, os tratamentos oferecidos até agora no país, contemplam bem mais adultos que crianças.