A equipe da rádio recebe em torno de 40 dólares por mês. Sem transmissão, eles dedicam parte do tempo a criar jingles. “Vais velha amiga Machene, a aids levou você”, diz um deles. Outra voz, mais imperativa, completa: “Aids mata e não tem cura. Previna-se. Seja fiel ao seu parceiro. Use preservativo, o melhor amigo de proteção da aids e DST”.
Uma mensagem bastante conhecida, veiculada em todas as emissoras, e interpretada por um humorista da Rádio e TV de Moçambique, revela um componente de vingança, muito criticado por especialistas em prevenção. Na mensagem, um caminhoneiro de passagem convida uma menina para ir a uma pensão. Ela lhe cobra 100 dólares pelo programa.
Na manhã seguinte, ao partir, o caminhoneiro diz: “Sabes menina, aqueles 100 dólares que te dei são falsos”. E a jovem responde. “Não tem importância: a aids que eu te passei é verdadeira”. Para os críticos do anúncio, há uma clara revelação de que a mulher não tem poder algum diante do homem, nem sequer para exigir o uso do preservativo.
Em Namialo, quando escurece, os caminhões vão estacionando ao longo do acostamento e começam a surgir mulheres, algumas com trajes mais ousados, que diferem das tradicionais capulanas. “São mais de cem, só aqui na vila”, diz Ambopa Rafael, 25 anos, jornalista da rádio. Na empoeirada pousada Santos, do português Agostino Santos, algumas estão olhando a tevê. No balcão, estão à venda preservativos da marca Jeito, a R$ 0,15 a unidade. “Não sou doente para usar isso”, diz uma delas.