Gil, 24 anos, sem pernas

A primeira casa a ser visitada é a de Gil Manhique, um jovem de 24 anos, sem as pernas, quer mora no bairro de Polana Caniço. Como existe o Polana Concreto, na região central da cidade, essa localidade ganhou o apelido porque muitos de seus barracos são construídos com varas, que aqui chamam de caniço. O pai de Gil, Ananias Manhique, não pára de agradecer a Deus pelo filho estar vivo. Dos quatro rapazes que tinha, um já morreu.

As enfermeiras pedem que as três filhas moças se afastem. “Elas não sabem que doença é essa”, explica em voz baixa a enfermeira Albertina. Talvez nem os pais saibam. Gil trabalhava no campo, numa província vizinha, quando pegou malária. Teve que ser transportado para Maputo, onde foi internado. Pouco tempo depois, “as pernas estouraram” e necrosaram. “Ou cortavam fora ou ele morria”, diz a enfermeira, que tem nas mãos o cartão do Hospital Central, que fica com a família.

Isso foi há dois meses e Gil hoje se movimenta numa cadeira de rodas emprestada. Albertina faz uma série de perguntas, observa os olhos, o interior da boca. Gil sobreviveu à sua primeira infecção oportunista.