Fatalidade e pessimismo

O tema do HIV/aids é tratado de forma bastante irregular em todos esses meios de comunicação. Nos cinco cursos de treinamento dados pela Unesco nos últimos anos a jornalistas de rádio e TV, um dos 15 dias foi dedicado à questão do HIV/aids. Pouco, quando se considera a gravidade da epidemia no país. Todos os seminários são feitos em parceira entre Unesco, Conselho Nacional de Combate à Aids e ONG.

A intenção agora é criar um fórum de editores, já que são eles que decidem a pauta de suas publicações ou emissoras. “O repórter nem sempre tem poder para sugerir pautas. Outras vezes não se interessa pelo tema ou tem dificuldades de acesso às fontes”, diz o jornalista Elias Cossa, especialista de programas no projeto da Unesco para o desenvolvimento das mídias em Moçambique.

Segundo ele, a timidez e a autocensura, que ainda são características da mídia local, se devem à situação de guerra que o país viveu até 1992 e ao controle do partido único que se seguiu. “Os jornalistas ainda se limitam ao noticiário oficial, mesmo nas questões do HIV/aids, não tocando nas histórias familiares e no drama e preconceito vividos pelas pessoas”, diz Cossa.

O brasileiro Juarez de Maia, 57 anos, professor da Universidade Federal de Goiás e assessor de comunicação do Conselho Nacional de Combate à Aids, critica “a fatalidade e o pessimismo” da mídia e das campanhas. “É necessário convencer o país de que é possível vencer essa pandemia. Tem que se mostrar as experiências positivas, mas a mídia só mostra o lado negativo”, reclama.