Famílias e mídia ainda escondem a aids

Moçambique é uma nação curiosa. Com área equivalente à dos estados de Goiás, Maranhão e Ceará juntos, o país tem mais de 14 línguas e pelo menos 40 dialetos. Um mosaico de culturas torna muito diferentes os costumes do sul daqueles do norte ou do centro de Moçambique. O grande desafio das mídias ­ especialmente as rádios locais e rurais comunitárias ­ é traduzir para as várias línguas as mesmas mensagens, especialmente no caso da aids e do HIV.

“Uma mensagem que sai em português da capital, nem sempre transmitirá a mesma idéia quando chegar em áreas de língua e culturas diferentes”, diz Ácia Marisa Sales, consultora da Unesco para rádio-comunicação. “Muitas vezes a tradução é impossível”.

O conteúdo das mensagens é outro desafio. Muitas rádios pregam aquilo que seus patrocinadores defendem. Enquanto emissoras do Instituo de Comunicação Social aconselham o uso do preservativo como um dos meios de prevenção, as rádios religiosas são contrárias a essa prática. E os programas financiados pelo governo dos Estados Unidos defendem a abstinência sexual e não autorizam que se pregue o uso do preservativo.

Só o Instituto de Comunicação Social, órgão do governo, tem 35 rádios e TVs comunitárias. As rádios produzem, em geral, entre oito e 13 horas de programação local. As TVs, que retransmitem os programas da Rádio e Televisão de Moçambique, costumam produzir de uma a três horas de programas locais. No final de outubro do ano passado, a TV Moçambicana transmitiu pela primeira vez um seriado em que mesclava histórias de personagens com depoimentos de pessoas vivendo com HIV/aids. Os programas foram produzidos na África do Sul e traduzidos do inglês para o português.