Criança perdida

O “Corredor da Esperança”, como foi batizado um projeto bancado pela Visão Mundial, começou em novembro de 2002 e parou em setembro do ano passado. Os ativistas, que recebiam o equivalente a 42 dólares por mês, acreditam que em março deste ano o projeto deva ser retomado.


O movimento no Corredor só vem aumentando. Mas do projeto, só restou o nome. As seis bicicletas das ativistas estão encostadas com os pneus furados. “Fomos treinadas para sair à noite, falar com os caminhoneiros e com as trabalhadoras do sexo, entregar folhetos e preservativos”, diz a ativista Assumina Rafael, 24 anos, dois filhos pequenos e que ficou sem emprego.


Na parede da rádio de Namialo, um comunicado oficial diz que as emissoras comunitárias não estão autorizadas a fazer propaganda eleitoral, apenas a cobertura de fatos políticos na localidade ­ por conta das eleições presidenciais. A rádio e as transmissões de TV estavam paradas há cinco dias e só deveriam retomar quando o ar condicionado voltasse a funcionar. “Os transmissores não suportam esse calor”, comenta o diretor da rádio Carlito Adamo Sabunete, 34.


Com as freqüentes interrupções na transmissão, a maioria dos moradores fica sem informação e o mundo não vai além de suas palhoças. Uma pesquisa feita pelos jovens da emissora mostrou que 80% dos moradores da região têm rádios em casa.


Mesmo com a emissora parada, os dez funcionários ­ entre repórteres, locutores e técnicos ­ estão ali o tempo todo. Alguma publicidade reforça o orçamento. A mais comum são os pequenos anúncios, de morte ou de criança perdida. “As mães saem para buscar água, a criança sai engatinhando atrás e se perde”, diz a locutora Olga Ussene, 32. “Aí alguém acha a criança, traz aqui e nós anunciamos pelo rádio. Quando a mãe vem buscar, deve pagar o preço do pequeno anúncio, 10 mil meticais (cerca de R$ 1,50). A maioria não tem dinheiro”.