Bichinhos no corpo

No bairro de Machava, município de Matola, a 30 quilômetros de Maputo, vive Amélia Lucas Maquane, 55 anos. Ela tem cinco filhos e preside a Associação Metramo da região. Só ali, são 120 curandeiros associados. De chapéu vermelho na cabeça, Amélia carrega um estoque de preservativos na bolsa. Aprendeu a lição em dois treinamentos oferecidos por instituições, uma delas a “Médicos del Mundo”.


As reuniões dos curandeiros acontecem na Manucosida, uma salinha apertada e quente do Núcleo de Combate ao Sida (Aids) de Machava. Amélia diz que não cura a aids, mas muitos de seus colegas garantem que sim. “Se o bichinho ainda não estragou muito o corpo do doente, é possível curar a pessoa”, diz. Mesmo ali em Machava, área metropolitana de Maputo e uma das regiões que concentra as poucas indústrias do país, muita gente ainda acredita que a doença está no preservativo.


“ “O governo ainda não percebeu a importância dos médicos tradicionais”, diz Amélia. “É preciso chegar a um ponto de conciliação, porque nós somos maioria e somos mais procurados que os médicos dos hospitais”.Para ela, boa parte dos pacientes sofre de “males da cabeça, gente que ficou maluca”. Amélia diz que viaja com freqüência para a África do Sul, onde tem outro “consultório”.