O governo moçambicano estima que 6 mil pacientes estejam recebendo o tratamento para a aids. A previsão era de que o número chegasse a 8 mil até o fim de 2004. Na contramão, as estimativas demonstravam que 97 mil pessoas morreriam de aids, somente no ano passado. É bem mais que a metade do mais de 160 mil óbitos registrados no Brasil, em 20 anos de epidemia.
Além disso, autoridades sanitárias do país e especialistas calculam que 500 novas infecções ocorrem a cada dia em Moçambique. “Vamos ter que treinar médicos, enfermeiros e qualquer outro profissional de saúde. Do contrário, não vamos conseguir fazer frente à epidemia”, diz Rosana Del Bianco.
Para isso, a médica brasileira diz que será fundamental o envolvimento da sociedade civil, empresários, professores a ativistas moçambicanos. É nesse papel de incentivar a adesão ao tratamento e a participação da sociedade que o Brasil tem se destacado. “Hoje já reconhecem a nossa importância”, diz Fernando Seffner.
Há um consenso entre instituições internacionais e nacionais, e entre organismos da sociedade e do governo, de que não faltam recursos para combater a aids em Moçambique. Na verdade, nem o governo sabe a quantia exata que entra no país. “O problema é que esse dinheiro não chega aonde ele é necessário”, diz Telva Barros, coordenadora em Moçambique do Unaids, o programa das Nações Unidas para combater a epidemia.