
medicamentos | diagnóstico | projetos | RENAGENO (genotipagem) RENAGENO (genotipagem) Comitês/grupos | Algoritmo | Regras de interpretação | Software de contaminação | Projeto Projeto de Implantação de uma Rede Nacional para Genotipagem do HIV-1 (RENAGENO) em Pacientes com Falha Terapêutica aos Anti-retrovirais - 2001 1 Justificativa O Governo Brasileiro adotou, desde de 1991, uma política que visa garantir o acesso universal à terapia com anti-retrovirais (ARV) para indivíduos portadores do HIV, segundo critérios definidos por comitês técnicos assessores. Atualmente, o referido programa vem atendendo cerca de 110.000 pacientes, e a previsão para o ano de 2002 é que 116.000 indivíduos estarão em uso de ARV distribuídos pela Rede Pública de Saúde. A política adotada pelo Ministério da Saúde tem causado um grande impacto na epidemia de HIV/aids, reduzindo a morbidade e a mortalidade. Entretanto, um dos principais fatores que ameaça a viabilidade desse programa, a longo prazo, é o aparecimento de variantes virais resistentes selecionadas durante o tratamento dos pacientes. Essas variantes, além de não responderem adequadamente à terapêutica anti-retroviral utilizada, podem ser transmitidas, representando um potencial problema de Saúde Pública. Uma nova metodologia, conhecida como genotipagem do HIV-1, foi desenvolvida para se detectar as mutações associadas com a resistência do HIV aos anti-retrovirais. O exame de genotipagem tem como objetivo pesquisar o padrão de mutações responsáveis pela falha terapêutica de causa viral do paciente e inferir o perfil de resistência desta variante. Esse exame é feito a partir dos virions que têm seu RNA amplificado por reação de PCR e seqüenciado em equipamentos automatizados com o auxílio de raios laser. A seqüência de aminoácidos do virion é obtida e comparada com uma seqüência do vírus selvagem padrão para identificar onde ocorreram as mutações. Vários estudos clínicos e moleculares foram desenvolvidos na Europa e nos Estados Unidos para validar a utilidade do exame de genotipagem do HIV-1 como indicador prognóstico da falha terapêutica de natureza viral e da sua utilização para aconselhamento clínico na decisão do esquema anti-retroviral de resgate terapêutico. O primeiro estudo desenvolvido na Europa, o VIRADAPT (Durant et al., 1999), foi baseado em coorte longitudinal originalmente aleatório (nos seus seis primeiros meses) e posteriormente transformado em estudo aberto (por questões éticas) com análise inicial de 108 pacientes em falha terapêutica. Após 6 meses de acompanhamento da carga viral de 65 pacientes com aconselhamento clínico baseado na genotipagem contra 43 pacientes-controle sem genotipagem, a carga viral no primeiro grupo apresentou queda de 1,15 log contra apenas 0,98 log no grupo-controle. O percentual de pacientes com carga viral indetectável (abaixo de 200 cópias/ml) no primeiro grupo, ao final de seis meses, foi de aproximadamente 32% contra apenas 14% no grupo-controle. O grupo-controle alcançou o mesmo patamar de sucesso no resgate terapêutico nos seis meses seguintes ao estudo, quando o grupo-controle teve acesso aos resultados de genotipagem para o HIV. Outros estudos de análise da genotipagem como fator prognóstico significativo seguiram-se, como o norte-americano GART ("Genotypic Antiretroviral Resistance Testing"; Baxter et al., 2000), e o estudo NARVAL europeu (Meynard et al., 2000) que mostrou, surpreendentemente, a aplicabilidade mais eficaz da genotipagem, quando comparada à própria fenotipagem, em casos de resgate de pacientes em falha terapêutica, acompanhados durante 24 semanas. Além disso, dados de custo de tratamento, apresentados por Chaix e Cols., a partir do estudo VIRADAPT, sugerem que os gastos no grupo de pacientes submetidos a genotipagem foram semelhantes aos do grupo sem acesso à esse exame. Basicamente, a queda nos custos no grupo onde houve gastos com os testes genotípicos foi devido à diminuição nos gastos com anti-retrovirais, especialmente com Inibidores de Protease (IP). Os autores também apontam para a potencial vantagem do uso racional dos IP e, conseqüentemente, na diminuição dos efeitos adversos associados a essas medicações. Assim, o Programa Nacional DST e Aids, do Ministério da Saúde, decidiu implantar, por meio de um estudo operacional, uma rede nacional de laboratórios aptos a executar o exame de genotipagem (RENAGENO), para detectar a ocorrência de resistência genotípica do HIV-1 frente aos anti-retrovirais, auxiliando na seleção da terapia de resgate, em pacientes atendidos da rede pública de saúde. 2 Objetivos da Rede Nacional de Genotipagem - RENAGENO 2.1 Principal Instalar uma rede de laboratórios para realizar exames de genotipagem em pacientes da rede pública de saúde infectados pelo HIV. Esses laboratórios estarão distribuídos segundo capacidade técnica instalada e de acordo com o número de pacientes em uso de ARV, nas diferentes macrorregiões do País. 2.2 Secundários
3 Desenho Geral da RENAGENO 3.1) Implantação da RENAGENO Os locais onde serão instalados os laboratórios da RENAGENO foram escolhidos segundo a capacidade técnica/científica e a estrutura física/pessoal instalada. Está sendo também avaliada a capacidade de resposta do laboratório em relação ao serviço da rede publica de saúde. A localização dos laboratórios foi feita de comum acordo entre a Coordenação Nacional de DST e Aids e as Coordenações Estaduais DST/AIDS Inicialmente, serão instalados 12 laboratórios seguindo a distribuição abaixo:
3.2) Treinamento de Recursos Humanos e Fluxos da RENAGENO:
4 Critérios de Indicação do Exame Definiu-se que, para se submeter a genotipagem pela RENAGENO, os pacientes HIV+ com evidências de falha terapêutica aos anti-retrovirais deverão apresentar, ao mesmo tempo, as duas características abaixo como critério de inclusão:
5 - FLUXOGRAMA DE FUNCIONAMENTO DA RENAGENO
(1) Médico assistente encaminha solicitação de teste
de genotipagem. 6 - Número de testes de genotipagem por ano/mês e médicos de referência em genotipagem, por unidade federada, segundo o número de pacientes em uso de terapêutica anti-retroviral (TARV). Laboratórios de referência nacional em genotipagem por unidade federada.
7 - Bibliografia Consultada ACTG Virology Manual , NIH document number 1994:94;3828. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION: Report of the NIH Panel to define principles of therapy of HIV infection and guidelines for the use of antiretroviral agents in HIV-infected adults and adolescents. Morbidity and Mortality Weekly Report 1998;47:1-55. COFFIN,J.M.: Genetic Variation in Retroviruses in Applied Virology Research.
Kurstak E. ed., Plenum Press 1991;2:11-33 . CONDRA, J. H.; SCHLIEF, W. A.; BLAHY, O. M.; GABRYELSKI, L. J.; ET AL: In vivo emergence of HIV-1 variantes resistance to multiple protease inhibitors. Nature 1995, 374:569-71. PROGRAMA NACIONAL DST/AIDS: Infecção pelo HIV em adultos
e adolescentes; recomendações para terapia anti-retroviral.
Ministério da Saúde, 2000 (www.aids.gov.br) DEEKS SG, HECHT FM, SWANSON M; ET AL: HIV RNA and CD4+ cell count response
to protease inhibitors therapy in na urban AIDs clinic:response to both
initial and salvage therapy AIDS 1999, 13:664-8 DURANT, J et al. Drug-resustance genotyping in HIV-1 therapy: The VIRADAPT randomized controlled trial. Lancet 1999, 343:2195-200. ESCAICH, S.: RITTER,J.:ROUGIER,P; ET AL.: Plasma viraemia as a marker of viral replication in HIV-infected individuals. AIDS l99l,5;ll89-ll94. FAUCI, A.AND THE PANEL ON CLINICAL PRACTICES FOR TREATMENT OF HIV INFECTION: Guidelines for the use of anti-retroviral agents in HIV-1 infected adults and adolescents NIH Document, 1997 FAUCI, A : HIV pathogenesis. Apresentado em plenária na 13°
conferência Internacional de Aids, Durban ,Africa do Sul, 2000 HO DD, NEUMANN AU, PERELSON AS, CHEN W, ET AL : Rapid turnover of plasma
virions and CD4 lymphocytes in HIV-1 infection. Nature 1995; 373: 123-26. KOHL, N. E.; EMINI, E. A.; SCHLIEF, W. A.; DAVIS, L. J.; ET AL.: Active
human immunodeficiency virus protease is required for viral infectivity.
Proceedings of the National Academy of Science USA 1988,85:4686-4690.
LARDER, BA; KEMP,SD; HARRIGAN, PR: Potential mechanism for sustained
anti-retroviral efficacy of AZT-3TC combination Therapy . Science 1995;269:696.
MAYERS G, KORBER B, BERZOFSKY JA, SMITH RF & PVLAKIS GN: Human retroviruses
and AIDS. Los Alamos national laboratory 1992;3:2-4. MAYERS G: Human Retroviruses and AIDS. Los Alamos: Los Alamos National
Laboratory, Theoretical Biology and Biophysics; 1996. MINISTÉRIO DA SAÚDE, Coordenação Nacional
de DST e Aids. Infecção pelo HIV em Adultos e Adolescentes:
Recomendações para Terapia Anti-retroviral. Brasília:
Ministério da Saúde,1999. 28 pp. MOLLA, A.; KORNEYEVA, M.; GAO, Q.; VASAVANONDA, S.; ET AL.: Ordered accumulation of mutations in HIV protease confers resistance to ritonavir. Nature Medicine, 1996, 2: 760-766. MOYLE, G. J.; AND BARTON, S. E.: HIV-proteinase inhibitors in the management of HIV-infection. Journal of Antimicrobial Chemotherapy 1996,38: 921-25. RICHMAN, DD: New strategies to combat HIV drug resistance. Hospital Practice
1996:6 :47-58. SABINO EC, DIAZ R, BRIGIDO LF, DUARTE AJS, MEYER A & BUSCH M: Distribution of HIV-1 subtypes seen in an AIDS clinic in São Paulo city, Brazil. AIDS 1996;10:1579-84. SEMPLE,M.: LOVEDAY,C.: WELLER,I.: AND TEDDER,R.: Direct Measurement of Viraemia in Patients Infected With HIV-1 and Its Relationship to Disease Progression and Zidovudine Therapy. Journal of Medical Virology l99l, 35:38-45. ST CLAIR, M. H.; MARTIN, J. L.; TUDOR-WILLIAMS, G.; BACH, M. C.; ET AL.
Resistance to ddi and sensitivity to AZT induced by mutation in HIV-1
reverse transcriptase. Science 1991, 253: 1557-1559. HIV/AIDS: EXPERT GROUP OF THE JOINT UNITED NATIONS PROGRAM ON HIV/AIDS;
Implications of HIV variability for transmission: scientific and policy
issues. AIDS 1997; 11: S1-S15. UNAIDS. Report on the global HIV/AIDS epidemic. WHO/EMCVIR/ASD/98.2,
1998. VASUDEVACHARI, M. B.; ZHANG, Y. M.; IMAMICHI, H.; IMAMICHI, T.; FALLOON,
J. AND SALZMAN, N. P. Emergence of Protease Inihibitor Resistance Mutations
in Humam Immunodeficiency Virus Type 1 Isolates from Patientes and Rapid
Screening Procedure for Their Detection. Antimicrobial Agents And Chemotherapy
1996,40: 2535-2541. WAIN-HOBSON, S: Running the gamut of retroviral variation . Trends in
Microbiology 1996;4:135- 40. WHO NETWORK FOR HIV ISOLATION AND CHARACTERIZATION: HIV-1 type 1 variation in World Health Organization-sponsored vaccine evaluation sites: Genetic screening, sequence analysis and preliminary biological characterization of selected viral strains. AIDS Res Hum Retroviruses 1994;10:1327-43. WHO Guidelines for standard HIV isolation procedures GPA-WHO RIDVAD 94.2 , 1994 WINTERS MA; SHAFER RW; JELLINGER RA.; MAMTORA G; GINGERAS T AND MERIGAN TC Human Immunodeficiency Virus Type 1 Reverse Transcriptase Genotype and Drug Susceptibility Changes in Infected Individuals Receiving Dideoxyinosine Monotherapy for 1 to 2 Years. Antimicrobial Agents And Chemotherapy 1997, 41: 757-762. Anexo Consentimento Livre Esclarecido O Ministério da Saúde e o Programa Nacional de DST e Aids, em conjunto com outras instituições públicas, procurando detectar a ocorrência de resistência do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) em indivíduos que estejam utilizando medicamentos anti-retrovirais, vem procurando implantar uma rede nacional de laboratórios aptos a executar o exame conhecido como genotipagem. A realização desse exame, além de possibilitar a obtenção de informações ligadas à capacidade desse vírus de resistir aos medicamentos anti-retrovirais disponíveis, também poderá contribuir nas ações de combate à aids. A resistência do HIV aos medicamentos pode comprometer a capacidade dessas drogas beneficiar as pessoas infectadas. Para a realização desse estudo, é necessário que seja colhido 10 ml do seu sangue. Uma ou mais coletas posteriores podem ser solicitadas a você, mas a autorização a essa coleta atual não o obriga a aceitar coletas posteriores. O sangue por você doado, além de permitir o isolamento e a caracterização do HIV, também deverá ter uma parte preservada para análises posteriores em instituições ligadas ao Ministério da Saúde ou à Organização Mundial da Saúde porém, sempre dentro dos objetivos descrito acima. Caso alguma metodologia nova venha usar o material por você doado e isso traga informações que possa benefíciá-lo, essas informações estarão a sua disposição, sendo repassadas à unidade de saúde onde você está sendo acompanhado, após aprovação de um comitê de bioética. Você não tem nenhuma obrigação de contribuir para esse ou outro estudo, e sua recusa não ocasionará nenhum prejuízo em seu atendimento médico. A eventual concordância agora não implica em nenhuma obrigação de coletas futuras. Se você concordar em participar dessa pesquisa, acontecerá o seguinte:
Obs.: Mesmo após a assinatura desse documento, o seu exame poderá não ser colhido se as suas condições não preencherem os critérios de inclusão na RENAGENO. Qualquer dúvida, favor contatar seu médico em sua unidade de saúde ou a Unidade de Assistência, Diagnóstico e Tratamento (UDAT) do PN DST/Aids pelos telefones 0XX-61-448 8008 ou 448 8009. Eu, abaixo assinado, responsabilizo-me pelo cumprimento da condições aqui expostas. Maria Candida de Souza Dantas - Programa Nacional de DST e Aids (UDAT) Assinatura: Nome do médico responsável pelo paciente na unidade de saúde: ______________________________________________________________________________ Assinatura: Após leitura do texto acima, afirmo ter compreendido o propósito do estudo e concordo em participar dessa pesquisa: Nome:_________________________________________________________________________
______________________________ Assinatura: Local (Cidade/Estado) Data: __ /__ /200_
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||