Governos de seis países, acadêmicos e ONG nacionais e internacionais estarão reunidos de 4 a 6 de setembro
O Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promovem, de 4 a 6 de setembro, o seminário internacional “Desenvolvimento e vulnerabilidade: perspectivas para a retomada do desenvolvimento nos países do Sul”. A relação entre as vulnerabilidades sócio-econômicas e a epidemia de aids será um dos temas debatidos no evento, que acontecerá de 4 a 6 de setembro, no Instituto de Economia da UFRJ, no Rio de Janeiro.
A abertura do seminário será na próxima segunda-feira, às 14h. Os palestrantes serão o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o diretor-adjunto do Programa Nacional de DST e Aids, Carlos Passarelli. De acordo com Passarelli, análises epidemiológicas mostram o aumento do número de casos de aids nas populações de baixa renda. Para ele, é um sinal de que o enfrentamento da epidemia implica derrubar as condições estruturantes da vulnerabiliade ao HIV, entre elas a miséria. “Nessa perspectiva, entendemos a epidemia como uma questão diretamente associada ao desenvolvimento dos países”.
O evento será coordenado pelas professoras Lena Lavinas e Ana Célia Castro, da UFRJ, e por Cristina Possas, chefe da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Programa Nacional. No encontro, serão discutidos, no âmbito da América Latina, os termos debatidos na Cúpula Mundial de 2005, realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, e na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), ocorrida em Hong-Kong, também no ano passado.
Entre os temas abordados estão a efetividade de programas e políticas de combate à fome e à pobreza, a vulnerabilidade sócio-econômica e a aids, e a contribuição da sociedade civil ao desenvolvimento do Sul, desenvolvimento e combate às desigualdades, e desigualdades de gênero.
Estarão presentes representantes de governos de seis países – Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Nigéria, Paquistão e Vietnã – e acadêmicos do Brasil, da Suíça e da França. Haverá, também, representantes de agências da ONU e da sociedade civil, que estará representada por organizações brasileiras e por entidades que atuam no cenário internacional.
O encontro também terá a participação de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apóiam o seminário o Ministério do Desenvolvimento Social, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia, a Petrobras, o Banco do Brasil e o Fórum de Ciência e Cultura.
Retrospectiva – Ao fim da primeira etapa de implementação das Metas de Desenvolvimento do Milênio, em 2000, as organizações do sistema das Nações Unidas, entidades multilaterais, governos nacionais e organizações da sociedade civil vêm refletindo não apenas sobre os avanços obtidos, como também sobre os objetivos e estratégias adotadas para vencer a pobreza.
Diversos fóruns aconteceram no ano passado para avaliar os resultados alcançados na implementação das metas entre 2000 e 2005 e fazer um balanço sobre a redução sustentável da pobreza e a eliminação da fome até 2015. Essa avaliação foi objeto da Cúpula Mundial, em 2005. Os resultados e as perspectivas revelaram um quadro de avanços lentos e insuficientes. A tentativa de conclusão da Rodada de Doha, da OMC, em Hong-Kong, revelou antagonismos e polarizações sobre comércio aberto e justo.
Assim, a agenda instituída pela ONU em 2000 ainda requer análises para estimar a capacidade de execução e o compromisso para financiar o desenvolvimento e, em particular, indicar possíveis saídas para os desafios da América Latina e do mundo em desenvolvimento.
Entre as maiores críticas às metas do milênio estão a ausência de estratégias claras para reduzir a pobreza e a crescente precarização do mercado de trabalho, apontadas como responsáveis pelo empobrecimento. É comum, também, o ceticismo quanto aos efeitos da globalização sobre as oportunidades de retomada do crescimento econômico dos países em desenvolvimento, por meio do comércio internacional.
Programa Nacional de DST e Aids
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