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  OMS elogia experiência carioca em sífilis congênita
  24/11/06
  

A experiência do município do Rio de Janeiro no enfrentamento da sífilis congênita foi elogiada pela representante da Organização Mundial de Saúde (OMS), Nathalie Broutet, no Seminário Brasil-França, que termina nesta sexta-feira (24/11), em Fortaleza (CE). De acordo com Broutet, além de seguir o modelo recomendado pela OMS, a experiência carioca prima por unir a testagem e aconselhamento do HIV junto com o de sífilis no pré-natal. “Esse modelo [do Rio de Janeiro] precisa ser aplicado em outros estados e municípios brasileiros. A OMS está pronta para apoiar qualquer iniciativa no sentido de reduzir o número de casos e espera que o Brasil seja uma referência para países vizinhos no combate à sífilis congênita”.

A sífilis congênita está eliminada na França, mas a experiência da Secretaria de Saúde do município do Rio de Janeiro foi apresentada a pesquisadores franceses e brasileiros no seminário. No encontro, as ações de testagem, tratamento e acompanhamento da sífilis em gestantes e o conseqüente aumento da notificação de casos de sífilis congênita no Rio foram destaques na mesa-redonda que discutiu o tema. A partir de campanhas e constantes capacitações dos profissionais de saúde da rede pública, o registro do número de casos, que é obrigatório desde 1986, passou a ser mais eficiente e a ter mais impacto nas políticas públicas locais.

Valéria Saraceni, assistente da Coordenação de Doenças Transmissíveis da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, contou que esse trabalho começou há dez anos, quando a coordenação decidiu expandir um treinamento – que inicialmente era só para casos de HIV – também para casos de sífilis. Naquela época, a incidência de sífilis congênita registrada era de 3,6 casos para cada mil nascidos vivos. “Com o envolvimento dos profissionais, melhoramos nossa notificação”. Graças aos registros, foi possível identificar a sífilis como a terceira causa de morte de fetos na região.

Em 1999, a coordenação promoveu campanha de testagem rápida nos meses de junho de julho. No ano seguinte, a campanha foi realizada novamente e, com isso, os registros subiram para dez casos a cada mil nascidos vivos devido à melhor notificação. “Depois, percebemos que a testagem deveria ser contínua e que era necessário monitorar a família para acompanhar o tratamento dos pais do bebê”, lembra Valéria.

As ações continuadas mostraram efeito nos números da prevalência. Em 1999, a taxa em gestantes com sífilis era de 4,7 (em cada mil mulheres). Em 2005, o índice foi de 2,7. Para Valéria, a falta de conhecimento da doença, o baixo nível de escolaridade dos portadores da doença e a dificuldade de acesso ao parceiro, que deve ser tratado, são os principais problemas relacionados à sífilis e à sífilis congênita.

Problema global – A sífilis congênita é um problema de saúde pública mundial. Estima-se que 1 milhão de casos novos da doença ocorram no mundo por ano, enquanto que a estimativa de infecção do HIV de mãe para filho seja de 700 mil casos. “Isso é uma vergonha. Temos todas as ferramentas para barrar a transmissão. O tratamento e a testagem são baratos e estão disponíveis na maioria dos países. Mas falta vontade política dos governos”, analisa Nathalie Brouet, da OMS.

A sífilis causa graves danos à saúde da criança (má formação, surdez, distúrbios neurológicos). Em muitos casos, a doença mata o bebê. De acordo com Valdir Pinto, chefe da Unidade de DST do Programa Nacional de DST e Aids, um acompanhamento pré-natal de qualidade poderia sanar o problema ainda na gravidez.

Segundo ele, os profissionais de saúde devem seguir os protocolos existentes, tratar gestantes e parceiros, acompanhando, mensalmente, com exames laboratoriais até o parto, a eficácia do tratamento. Dos gestores, Valdir cobra mais investimento na capacitação dos profissional e nas ações conjuntas entre programas estaduais e municipais de DST/Aids e outras áreas técnicas do Ministério da Saúde. “A população precisa ter mais informações sobre sinais, sintomas e conseqüências da sífilis para a saúde”, explica Valdir.

Apesar de o teste e o tratamento estarem disponíveis na rede pública de saúde, hoje, estima-se que o Brasil tenha 48 mil casos de gestantes com sífilis por ano. Desde o ano passado, a notificação das gestantes com sífilis é compulsória em todo o país. A estimativa para o número de crianças nascidas com sífilis congênita é de 12 mil casos, embora só 5.739 casos tenham sido registrados no ano passado, segundo o Boletim Epidemiológico 2006.

O Seminário Brasil-França é uma promoção do Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de DST e Aids, em parceria com a Embaixada da França no Brasil. O evento tem como objetivo o intercâmbio entre os dois países e a apresentação de experiências bem-sucedidas de prevenção, diagnóstico e tratamento dos agravos relacionados às DST e aids. Ao todo, 130 pessoas, entre representantes de governo, da sociedade civil, profissionais de saúde, cientistas e pesquisadores participam da atividade. A cooperação Brasil-França existe há 16 anos.

Mais informações
Programa Nacional de DST e Aids
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