Declaração foi feita por vice-presidente da Iniciativa Internacional de Vacina contra a Aids, na abertura de evento sobre o tema, em Brasília
O vice-presidente da Iniciativa Internacional de Vacina contra a Aids (IAVI) disse nesta quarta-feira (4/10), em Brasília, que é essencial produzir uma vacina preventiva contra o HIV e que o Brasil tem um papel importante nesse processo. Robert Hecht afirmou que a “excelência, paixão e eficiência” do governo brasileiro serão incorporadas nas pesquisas de vacinas contra o vírus. “Da mesma forma que o Brasil nos ensinou muitas coisas em relação ao combate à aids, também nos ensinará a buscar uma vacina anti-HIV”.
As declarações foram feitas na abertura do seminário internacional “Pesquisa em vacina anti-HIV: questões éticas e regulatórias”. Promovido pelo Ministério da Saúde, o evento acontece no Lake Side Hotel, na capital federal, até amanhã (5/10). Durante o encontro, comunidade científica, governo, sociedade civil e agências reguladoras vão debater os procedimentos éticos e regulatórios mais adequados para o desenvolvimento de vacinas anti-HIV. “Estou bastante otimista de que um dia teremos uma vacina contra o HIV. O nosso desafio hoje é criar um ambiente ético para o desenvolvimento dessas pesquisas”, disse Saladin Osmanov, representante da Organização Mundial de Saúde.
O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Fabiano Pimenta, reafirmou a necessidade de interação entre os agentes envolvidos nas pesquisas. “Temos que interagir para contribuir nesse processo, sem perder de vista as questões éticas e regulatorias, a fim de que possamos dar mais esse salto na saúde publica”.
Estudos no mundo – Atualmente, existem mais de 30 estudos de vacinas anti-HIV no mundo. Desses, três estão em fase avançada. A expectativa é de que, num prazo de três a cinco anos, já exista um produto com eficácia de pelo menos 40% – que é o mínimo aceitável para a aprovação. Para Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de DST e Aids, isso representa um grande avanço científico na área. “Mesmo com uma eficácia de 40% em uma vacina anti-HIV, o impacto será significativo na saúde pública”, disse a diretora. “Queremos contribuir, efetivamente, no cenário internacional para o desenvolvimento de uma vacina. Isso é uma prioridade de governo”.
No Brasil, duas vacinas preventivas e uma vacina terapêutica com células dendríticas estão em teste. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), lançou, em junho de 2006, um edital para financiamento de pesquisas sobre vacinas anti-HIV. Os investimentos chegam a R$ 7,6 milhões.
A solenidade de abertura do seminário teve, ainda, a presença do diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Raposo de Mello, e de representantes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde (Conep) e da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança do Ministério da Ciência e Tecnologia (CNTBio).
A programação completa do evento está disponível no site www.aids.gov.br – clique no link “Área Técnica” e, depois, em “Educação em Saúde e Eventos”. Nos dois dias do seminário, serão apresentadas experiências brasileiras e internacionais, perspectivas para o Brasil e desafios no desenvolvimento de novas tecnologias preventivas e terapêuticas. Também será abordado o papel das agências reguladoras na pesquisa, no desenvolvimento tecnológico, na produção de insumos, na importação e na aprovação de futuros produtos.
Fases de uma vacina – Os estudos de vacinas preventivas de HIV têm que passar por pesquisas pré-clínicas e clínicas até serem comercializadas ou distribuídas pelo governo. O tempo dessas pesquisas é de até 10 anos. Na pré-clínica são avaliadas a segurança (inocuidade) e a resposta imune (imunogenicidade) do produto em animais. Já a fase clínica, realizada em humanos, se subdivide em três etapas.
A primeira avalia a segurança e a capacidade de estimular respostas imunológicas indicativas de proteção em poucos voluntários – 10 a 30 pessoas. Esses estudos envolvem geralmente adultos sadios com baixo risco para a infecção pelo HIV, por períodos que variam entre seis meses a um ano. A segunda etapa realiza os mesmos testes em um número maior de voluntários (cerca de 200 pessoas), com doses e esquemas diversos. A duração varia de seis meses a dois anos.
A terceira fase é a que testa a eficácia do produto vacinal em muitas pessoas – 3 a 5 mil. Quanto menor for a incidência da infecção ou a eficácia esperada, são necessários mais voluntários. O tempo desses estudos é de três a cinco anos. A conclusão dessa fase, contudo, não garante a efetividade no controle da epidemia, o que deve ser avaliado em condições de funcionamento do sistema de saúde. A efetividade depende da área de cobertura, da capacidade de distribuição, do preço dos produtos e do nível de organização dos serviços de saúde.
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