Profissionais de saúde de todo País estão preocupados com a alta prevalência de transtornos mentais entre portadores de HIV/aids. Este tema foi um dos principais debates realizados na manhã desta terça-feira (19/09) no IV Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e no II Congresso Brasileiro de DST e Aids, em Santos.
A depressão é o sintoma mais observado. Estudos norte-americanos estimam em 20% a taxa de prevalência de depressão entre portadores de HIV/aids. As causas que podem levar ao desenvolvimento desse transtorno são complexas, e vão desde transtorno latente prévio, dificuldades relacionadas à aceitação do diagnóstico e tratamento e ação do próprio vírus no sistema nervoso central. “O diagnóstico correto é fundamental para se garantir o tratamento adequado a estes pacientes. Tratar da depressão garante aumento da adesão ao tratamento anti-retroviral, redução do uso dos serviços de saúde e melhor qualidade de vida do próprio portador”, observa a psiquiatra Vanja Bessa Ferreira, da Secretaria de Estado da Saúde do Rio de Janeiro e da Sociedade Viva Cazuza. “O ideal é tratar da depressão não apenas com medicamentos, mas oferecer ao paciente, atendimento psicoterápico”, comenta. É importante lembrar que alguns medicamentos ARV, como o AZT e o Efavirenz podem acarretar efeitos colaterais, entre eles a depressão.
Além da depressão, outros transtornos podem acometer o portador de HIV/aids. O delírio (perturbação da consciência, da percepção, do pensamento e memória) e a demência costumam ocorrer em função de infecção por toxoplasmose, quando o protozoário instala-se no cérebro. “Atualmente, graças aos anti-retrovirais, estas situações não são freqüentes”, observa a psiquiatra.
“Projeto Pessoas” – O resultado deste estudo multicêntrico, em andamento na Universidade Federal de Minas Gerais, será fundamental para se conhecer o número de portadores de transtorno mental grave (esquizofrenia) com infecção HIV, sífilis, Hepatites B e C. Pesquisa anterior, realizada por Suely Oliveira em 1997, com 109 pacientes do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, constatou que 63% dos internos tiveram atividade sexual no último ano; 72% relataram não usar preservativo regularmente e 45% declararam nunca ter feito sexo seguro.
Para verificar a viabilidade de criação de uma intervenção brasileira que trabalhe a sexualidade e a prevenção das DST/aids entre portadores de transtornos mentais graves, o enfermeiro Cláudio Gruber Mann, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira Interdisciplinar para Aids (Abia), vem desenvolvendo desde 2002 o Projeto Interdisciplinar em Sexualidade, Saúde Mental e Aids (Prisma). “Pacientes de instituições psiquiátricas não tem acesso a educação sexual e reprodutiva. Trata-se de uma população excluída que demanda atenção nesse sentido”, observa Cláudio Gruber Mann.
Mais informações sobre a programação do evento para hoje e amanhã podem ser obtidos no site: www.dstsaopaulo.org.br/congresso.
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