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 Notícias do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
  Pesquisa PCAP 2008
  26/06/09
  

O retrato do comportamento sexual do brasileiro

O Ministério da Saúde acaba de concluir a maior pesquisa já realizada sobre comportamento sexual do brasileiro. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para fazer 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos. A análise das informações auxiliará na execução e na avaliação da política para a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o estudo, 77% dessa população (66,7 milhões) teve relações sexuais nos 12 meses que antecederam a pesquisa.

As principais diferenças de comportamento estão entre homens e mulheres. Entre eles, 13,2% tiveram mais de cinco parceiros casuais no ano anterior à pesquisa; entre elas, esse índice é três vezes menor (4,1%). 10% deles tiveram, pelo menos, um parceiro do mesmo sexo na vida, enquanto só 5,2% delas já fizeram sexo com outras mulheres. A vida sexual deles também começa mais cedo – 36,9% deles tiveram relações sexuais antes dos 15 anos; entre elas esse índice cai para menos da metade, 17%. A pesquisa traz ainda recortes por escolaridade e região. Nesses dois casos, não há diferenças estatísticas relevantes.

Indicadores de comportamento sexual da população
sexualmente ativa entre 15 e 64 anos, por sexo (em%)
 

Indicador

Homens

Mulheres

Total

Relações sexuais nos últimos 12 meses

81

73,7

77,3

Relações sexuais antes dos 15 anos

36,9

17

26,8

Mais de 10 parceiros na vida

40,1

10,9

25,3

Mais de 5 parceiros casuais no último ano

13,2

4,1

8,8

Relação sexual com pessoa do mesmo sexo, na vida

10

5,2

7,6

Pelo menos um parceiro fixo nos últimos 12 meses

84,2

89

86,5

Pelo menos um parceiro casual nos últimos 12 meses

36,8

18,5

27,9

Pelo menos um parceiro que conheceu pela internet nos últimos 12 meses

10,3

4,1

7,3

 Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas
da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008

 

SEXO PROTEGIDO – A pesquisa constatou ainda que quase metade da população (45,7%) faz uso consistente do preservativo com seus parceiros casuais (usou em todas as relações eventuais nos últimos 12 meses). As principais diferenças estão entre homens e mulheres e por faixa etária. Homens usam mais preservativos que as mulheres em todas as situações. Os jovens são os que mais fazem sexo protegido em relação aos mais velhos (veja texto anexo). A análise dos dados com recorte de região e de escolaridade não mostra diferenças significativas.


Uso do preservativo na população sexualmente ativa entre
15 e 64 anos, por sexo (em%)
   

Uso do preservativo

Homens

Mulheres

Total

Na primeira relação sexual ( 15 a 24 anos)

63,8

57,6

60,9

Na última relação sexual dos últimos 12 meses

40,2

29,7

35,1

Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses

65,1

45,5

58,8

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos

21,5

17,3

19,4

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais

51,0

34,6

45,7

Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da
População Brasileira de 15 a 64 anos de  idade, 2008.

 

Uso do preservativo na população sexualmente ativa
entre 15 e 64 anos, segundo faixa etária, em 2008 (em%)
 

Uso de preservativo

15-24

25-49

50-64

15-64 (Total)

Na primeira relação sexual ( 15 a 24 anos)

60,9

-

-

60,9

Na última relação sexual dos últimos 12 meses

55,0

30,2

16,4

35,1

Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses

67,8

54,4

37,9

58,8

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro

32,6

17,2

10,5

20,6

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos

30,7

16,6

10,0

19,4

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais

49,6

44,6

32,0

45,7

Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas
da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008
 
 
INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO – A população brasileira possui um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção da aids – mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. O conhecimento é maior entre pessoas de maior escolaridade. Mas mesmo entre aqueles com primário incompleto, o preservativo é bastante conhecido. Além disso, 90% dos brasileiros afirmaram saber que a aids ainda não tem cura.  Não há diferenças relevantes sobre o conhecimento entre as regiões nem entre os sexos.

 

Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 64 anos, com conhecimento correto
sobre as formas de transmissão do HIV, por escolaridade. Brasil, 2008
 

Formas de transmissão

Primário Incompleto

Primário Completo e Fundamental Incompleto

Fundamental Completo

Total

Sabe que uma pessoa com aparência saudável pode estar infectado pelo HIV

81,2

91,6

96,6

92,0

Acha que ter parceiro fiel e não infectado reduz o risco de transmissão do HIV

78,6

81,5

80,2

80,5

Sabe que o uso de preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV

95,2

96,9

96,9

96,6

Sabe que pode ser infectado ao compartilhar de seringa

85,1

88,6

96,0

91,2

Sabe que pode ser infectado nas relações sexuais sem preservativo

92,2

95,9

96,8

95,7

Sabe que não que existe cura para a aids

90,6

93,1

95,3

93,6

Fonte: Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas
da População Brasileira de 15 a 64 anos, 2008

 

Esse é um dos índices mais elevados do mundo. Pesquisa realizada em 64 países indicou que 40% dos homens e 38% das mulheres de 15 a 24 anos tinham conhecimento exato sobre como evitar a transmissão do HIV. Além disso, dados do relatório da Assembléia Geral das Nações Unidas em HIV/Aids (UNGASS) de 2008 apontam que, no mundo, há diferenças importantes entre os sexos: pouco mais de 70% dos homens jovens sabem que usar preservativo é uma estratégia de prevenção eficaz contra a transmissão do HIV. Entre as mulheres, são apenas 55%.


MAIS EXPOSTOS – A comparação dos resultados da PCAP 2008 com os da mesma pesquisa realizada em 2004 acenderam o alerta para o Ministério da Saúde. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice foi mais que o dobro, passando para 9,3%. Ao lado disso, o conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou uma tendência queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008. 

Indicadores de comportamento sexual da
população sexualmente ativa, em 2004 e 2008 (em %)
 

Indicador

2004

2008

Relações sexuais nos últimos 12 meses

81,4

79,0

Relações sexuais antes dos 15 anos

25,2

27,7

Mais de 10 parceiros na vida

19,3

25,9

Mais de 5 parceiros casuais no último ano

4,0

9,3

Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004;
Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008


Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 54 anos sexualmente ativos,
segundo o uso de preservativo, em 2004 e 2008
 

Indicador

2004

2008

Na primeira relação sexual ( 15 a 24 anos)

53,2

60,9

Na última relação sexual dos últimos 12 meses

38,4

36,8

Na última relação sexual com parceiros casuais nos últimos 12 meses

67

59,9

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com qualquer parceiro

25,3

21,5

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros fixos

24,9

20,3

Em todas as relações sexuais, nos últimos 12 meses, com parceiros casuais

51,5

46,5

Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 54 anos de idade, 2004;
Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008


PARCERIAS FIXAS E CASUAIS – Pela primeira vez, a PCAP analisou a ocorrência das relações casuais no mesmo período das relações fixas. De acordo com a pesquisa, 16% dos brasileiros traem – dos 43,9 milhões que viviam com companheiros (as), 7,1 milhões tiveram parceiros (as) eventuais, no mesmo período. São os homens os que mais traem: 21% (4,7 milhões). Já para as mulheres, esse índice é de 11% (1,8 milhão). 

A pesquisa analisou também o uso do preservativo nas parcerias casuais fora da relação estável. O uso nessa situação é baixo. 63% não adotaram preservativo em todas as vezes que fizeram sexo com parceiro eventual. Entre os homens, o índice é de 57% e entre as mulheres 75%.


Parcerias casuais de quem vive com companheiros no último ano (em %)

 

%

N

Homens

Mulheres

Total

Homens

Mulheres

Total

Dentre os sexualmente ativos no ano

Vivem com companheiro

63%

68%

66%

21.888.461

21.985.459

43.873.920

Têm parceiro casual e vivem com companheiro

21%

11%

16%

4.673.452

2.404.832

7.078.284

Não usou preservativo em todas as relações casuais

57%

75%

63%

2.652.805

1.798.108

4.450.913

Não usou preservativo na última relação casual

49%

68%

56%

2.291.572

1.632.638

3.924.210

Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira
de 15 a 64 anos de idade, 2008


O QUE PROMOVE O USO DO PRESERVATIVO – O Departamento de DST e Aids – responsável pelo estudo – criou um modelo estatístico para analisar as informações da pesquisa e identificou quais são os principais fatores que impactam a adoção do preservativo. Gênero, acesso gratuito à camisinha e quantidade de parcerias casuais são as características mais importantes:

– Homens têm 40% mais chance de usar camisinha que as mulheres;
– Quanto mais jovem, maior a probabilidade de uso de preservativo (a cada ano, diminui 1% a chance de o indivíduo usar preservativo);
– Quem teve mais de cinco parceiros casuais nos últimos 12 meses tem quase duas vezes mais chance de usar que os que não tiveram;
– Quem já pegou preservativo de graça tem duas vezes mais chance de usar que aqueles que nunca pegaram.

A divisão por sexo mostra que alguns fatores têm impacto diferenciado sobre homens e mulheres. Entre eles, os “solteiros” têm quase quatro vezes mais chance de usar a camisinha que os com relações estáveis; os que já pegaram preservativo de graça têm 80% mais chance de usar que os que nunca pegaram. Entre as mulheres, as “solteiras” têm mais que o dobro de chance de usar que as “casadas”. As que já pegaram preservativo de graça têm mais que o dobro de chance de fazer sexo seguro que as que nunca pegaram.


CAMISINHA DE GRAÇA

30% dos brasileiros pegaram camisinha de graça no último ano. O principal local para ter acesso ao preservativo gratuitamente são os serviços de saúde, seguidos pelas escolas.

Percentual (%) de indivíduos com idade entre 15 e 64 anos,
que declara ter recebido preservativo de graça, nos últimos 12 meses,
por faixa etária, segundo locais de retirada
 

Indicadores

15-24

25-49

50-64

15-64

Serviço de saúde

37,7

27,0

10,7

27,2

ONG

7,8

5,6

2,7

5,7

Escolas (dentre os que estudavam)

16,5

-

-

-

Pegou preservativo de graça pelo menos uma vez nos últimos 12 meses

41,4

28,6

11,6

29,2

Fonte: Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da
População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, 2008


METODOLOGIA

A Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids na População Brasileira de 15 a 64 anos foi realizada por técnicos do Ibope em todas as regiões do país em novembro de 2008, com 8 mil entrevistados. A amostragem foi estratificada por macrorregião geográfica (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste) e situação urbano/rural. As características sociodemográficas apresentadas na pesquisa se assemelham às do Censo do IBGE: quase 49% eram homens; 53,3% tinham entre 25 e 49 anos; 42,6% tinham o nível de escolaridade fundamental completo; 46,3% declarou sua cor ou raça como parda e 38,9% como branca; em torno de 57% vivia com companheiro; 48,5% pertenciam à classe econômica C; quase 7% residiam na região Norte, 26,7% no Nordeste, 44,4% no Sudeste, 15,2% no Sul e 7% na região Centro-Oeste; grau de urbanização foi de quase 83%. A análise dos dados foi feita pela equipe técnica do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, com o apoio do Centro de Informação Científica e Tecnológica (LIS/CICT) da Fundação Oswaldo Cruz.

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