Vacinas anti-HIV terão investimento de R$ 25 milhões até 2012
O Ministério da Saúde investirá, nos próximos quatro anos, R$ 25 milhões em pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina contra aids. Os recursos serão aplicados em capacitação de recursos humanos, infra-estrutura laboratorial e plataformas tecnológicas, possibilitando o avanço em outros campos da saúde pública.
O anúncio será feito pelo ministro José Gomes Temporão, às 19h desta segunda-feira (1º/9), na abertura do I Seminário Internacional sobre pesquisa, desenvolvimento e acesso a vacinas anti-HIV, em Brasília. O evento reunirá, até 3 de setembro, especialistas nacionais e internacionais para discutir temas como política científica e tecnológica nacional, cenário das pesquisas no cenário global, participação da sociedade civil e ética em ensaios clínicos.
De acordo com a Iniciativa Internacional de Vacinas contra Aids (IAVI), o investimento global em pesquisas de vacinas anti-HIV é de US$ 960 milhões por ano. Atualmente, 46 estudos reúnem 25 mil voluntários em 23 países, incluindo o Brasil.
Embora não exista, na comunidade científica mundial, a perspectiva de que uma vacina seja descoberta em curto ou médio prazo, o ministro defende os investimentos no setor. Para ele, eventuais falhas em pesquisas não significam um retrocesso. “Ao contrário, indicam por quais caminhos não se deve mais seguir; e isso faz parte da construção do conhecimento científico”.
Há um ano, o laboratório Merck Sharp & Dohme suspendeu os testes de uma vacina experimental com 3 mil voluntários em todo o mundo, incluindo o Brasil, depois que ensaios clínicos mostraram a ineficácia do imunizante. O estudo era considerado o mais promissor pelos cientistas. “É preciso restaurar a credibilidade pública de que uma vacina anti-HIV é possível, porque ela é necessária. Dizer o contrário é um desserviço à humanidade e à ciência”, afirma Temporão.
Além do ministro da Saúde, participam da abertura o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende; o coordenador da Iniciativa Conjunta de Vacinas contra HIV da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNAIDS), Saladin Osmanov; o representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Diego Victoria; o vice-presidente da IAVI, Frans van den Boom; e o representante da sociedade civil, Jorge Beloqui.
Plano Nacional – No seminário, também será lançado o IV Plano Nacional de Vacinas Anti-HIV, único na América Latina e um dos poucos elaborados por países em desenvolvimento. Segundo a IAVI, África do Sul, China, Índia e Tailândia são outros países em desenvolvimento que têm atuação mais destacada na área de vacinas.
O Plano foi elaborado para implantar e consolidar um programa integrado de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, buscando assegurar recursos por meio do fortalecimento de cooperações já existentes e do estabelecimento de novas parcerias. A construção do documento teve a participação de um comitê consultor, formado por 28 pessoas, entre cientistas e representantes da sociedade civil, atualmente presidido pelo professor Alberto Duarte, da Universidade de São Paulo.
Cenário global – Hoje, 33 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo. Em 2007, ocorreram 2,7 milhões de novas infecções pelo vírus e 2 milhões de pessoas morreram em decorrência da aids. No Brasil, estima-se em 620 mil o número de pessoas infectadas pelo HIV, com uma média anual de 32 mil novos casos de aids e 11 mil mortes em decorrência da doença.
No país, atualmente, 185 mil pessoas têm acesso universal ao tratamento da aids no Sistema Único de Saúde (SUS) – o que representa uma cobertura de 95% dos portadores do vírus que precisam dos medicamentos. Garantido por lei desde 1996, o tratamento melhorou a qualidade de vida dos portadores do HIV e reduziu em mais de 80% as internações hospitalares em decorrência da aids. No entanto, os medicamentos anti-retrovirais, usados no tratamento da aids, causam vários efeitos adversos nos pacientes, como complicações metabólicas e neurológicas.
Esse é um dos principais fatores de mobilização da comunidade científica internacional em torno de uma vacina anti-HIV. “Mesmo um imunizante de eficácia parcial seria uma importante estratégia de prevenção de novas infecções pelo vírus da aids”, diz a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão. Por outro lado, uma vacina terapêutica poderia ser um importante coadjuvante do tratamento, ao reduzir a carga viral dos pacientes e, conseqüentemente, a necessidade de uso de anti-retrovirais.
Mais informações:
Abertura do I Seminário Internacional Vacina Anti-HIV: Pesquisa, Desenvolvimento e Acesso e lançamento do IV Plano Nacional de Vacinas Anti-HIV
Dia: 1º de setembro de 2008
Hora: 19h
Local: Hotel Lake Side – SHTN Trecho 1 Lote 2 Projeto Orla 3 – Brasília/DF
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