Brasil discute acesso de imigrantes brasileiros ao serviço de saúde japonês

Representantes da comunidade brasileira e da japonesa apresentam, nesta quarta-feira (27/8), na Câmara dos Deputados, em Brasília, propostas para reduzir as vulnerabilidades dos dekasseguis brasileiros ao HIV e a outras doenças sexualmente transmissíveis (DST). As discussões acontecem no encerramento do Seminário Brasil Japão, que discute compromissos dos dois países na prevenção e no tratamento da aids e de outras DST para os dekasseguis brasileiros residentes no Japão.
Na abertura do seminário, nesta terça-feira (26/8), a diretora do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, destacou a importância do cuidado à saúde de imigrantes. “Entendemos que o acesso à saúde é um direito humano fundamental em todos os países”.
Na opinião de Reimei Yoshioka, das Associações Nikkey-Bunkyo, a maior barreira para os dekasseguis brasileiros serem atendidos nos serviços médicos japoneses é o fato de a maioria deles não estar inscrita na previdência social. No Japão, o acesso é exclusivo para os contribuintes. “Está na hora dos dois governos firmarem uma parceria para que os brasileiros sejam incluídos na previdência social de lá”, defendeu Yoshioka. Dekassegui é o termo, em japonês, para pessoas que deixam sua terra natal para trabalhar temporariamente em outro país.
O ministro Tatsuo Arai, da Embaixada do Japão, informou que foram montados grupos de trabalho para discutir questões jurídicas, previdenciárias e de saúde. “Estamos trabalhando juntos [os dois governos] para resolver esses problemas”. Além da questão previdenciária, os imigrantes estão mais vulneráveis ao HIV em virtude da dificuldade da língua e de acesso a informações de prevenção às DST/aids.
Também estiveram presentes na abertura do seminário o deputado Chico D’Ângelo (PT/RJ), coordenador da Frente Parlamentar em HIV e Aids; José Araújo Lima, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+); Ana Gentil Cabral, do Ministério das Relações Exteriores; e Maria de Fátima Malheiro, do Ministério da Educação.
Dados – Décimo país mais populoso, com 128 milhões de habitantes, o Japão tem uma das mais baixas prevalências do HIV no mundo – 0,02%. De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNAIDS), são 12.394 casos de HIV e aids acumulados no país. No Brasil, estima-se em 620 mil o número de pessoas infectadas pelo vírus da aids atualmente, representando uma prevalência de 0,6%.
De acordo com o UNAIDS, do total de casos da doença registrados no país, 25% são de estrangeiros. Os brasileiros, segundo o Ministério da Saúde e Bem-Estar japonês, são o segundo grupo de estrangeiros mais infectados pelo HIV. Estima-se que, hoje, existam aproximadamente 315 mil dekasseguis brasileiros no Japão.
Para visualizar as fotos do evento, acesse o site www.aids.gov.br/mediacenter, no link "galeria de fotos", ano 2008.
Serviço:
Seminário DST/HIV/aids: Brasil e Japão fortalecendo laços
Auditório Freitas Nobres, Câmara dos Deputados, Brasília/DF
8h30 às 10h15 – Mesa 2: Contextualização dos processos de articulações e realidades locais para o enfrentamento das DST/aids nos dekasseguis
10h30 às 12h30 – Mesa 3: Sonhos e realidades – Experiências e contribuições da sociedade civil e direitos humanos
14h às 15h15 – Continuação dos grupos de trabalhos: Políticas, serviços e ações
15h30 às 17h – Apresentação dos grupos de trabalhos e plenária para os encaminhamentos finais
17h às 17h30 – Encerramento
Mais informações sobre o evento
Programa Nacional de DST e Aids
Unidade de Articulação com a Sociedade Civil e de Direitos Humanos
Tel: (61) 3448-8024
Mais informações à imprensa
Programa Nacional de DST e Aids
Assessoria de Imprensa
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