Temporão anuncia produção de 400 máquinas de preservativos
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou nesta quinta-feira (25) que o governo federal vai produzir e distribuir 400 máquinas de preservativos para escolas que fazem parte do programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). "Um dos grandes desafios do combate à aids é o acesso à educação sexual nas escolas e o incentivo ao uso de camisinhas" disse Temporão. O anúncio foi feito durante o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids, que acontece em Florianópolis (SC), até o próximo sábado (28).
O custo unitário da produção é de R$ 400 - em média, 40% mais baixo que o valor de uma máquina no mercado internacional. Os estados cujas escolas receberão as primeiras unidades, para a fase de testes das máquinas nas escolas, serão conhecidos até o fim do ano. Pesquisa de avaliação do programa SPE realizada em 2006 mostrou que 90% dos estudantes, 63% dos pais e 58% dos professores aprovam a disponibilização de preservativos nas escolas.
Na população em geral, para cada grupo de 16 homens com aids, há 10 mulheres com a doença. Porém, entre os jovens de 13 a 19 anos, ocorre o inverso: são 16 meninas com aids para cada 10 meninos com a doença. Pesquisas do Ministério da Saúde revelam que, na primeira relação sexual, mais de 30% das meninas afirmaram que não usaram camisinha porque confiaram nos parceiros. Entre os meninos, apenas 7% tiveram o mesmo comportamento.
Segundo o ministro da Saúde, o programa brasileiro garantiu acesso a métodos diagnósticos e a medicamentos, permitindo à pessoa com aids a inserção na vida social. Esse amplo acesso aumentou a expectativa de vida e transformou a aids numa doença crônica como o diabetes. Uma realidade que pode ser um risco, fazendo com que o adolescente relaxe em relação à prevenção. "Por isso, temos que trabalhar com essa garotada, discutindo com adolescentes e jovens a questão do acesso aos direitos sexuais e reprodutivos e a prevenção às doenças sexualmente transmissíveis", disse Temporão.
Referência – O programa brasileiro de combate e prevenção à aids é uma referência mundial e diferencia o Brasil dos demais países. "Brasileiros que vivem com aids têm atendimento médico, medicamentos e exames laboratoriais custeados integralmente pelo sistema público. Poucos países no mundo conseguem isso. A prova do sucesso é a cobertura integral e a redução da mortalidade de maneira sustentada", disse o ministro. "A política brasileira contra aids avançou devido à intensa participação dos movimentos sociais. Eles estão no DNA do sucesso da política. É a singularidade brasileira".
O programa, no entanto, enfatizou Temporão, ainda têm desafios, como garantir informação ampla, romper estigmas e preconceitos, ampliar o acesso a medicamentos, além da educação sexual. "Vamos investir R$ 1 bilhão em medicamentos neste ano, um valor significativo. O custo dos medicamentos é alto e estamos permanentemente trabalhando para a redução e para ampliar a nossa capacidade de produção".
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