Organização internacional destaca importância do Brasil para desenvolvimento de vacina anti-HIV
“A contribuição brasileira é única e potencialmente importante para o desenvolvimento de uma vacina anti-HIV”. A declaração é de Frans van den Boom, vice-presidente da Iniciativa Internacional de Vacinas contra a Aids (IAVI). Ele esteve presente na a abertura do I Seminário Internacional sobre pesquisa, desenvolvimento e acesso a vacinas anti-HIV, no dia 1º de setembro, em Brasília. Boom disse ainda que a parceria entre a IAVI e o Brasil é sólida e vai durar enquanto for necessário para o progresso tecnológico nessa área.
O Brasil está envolvido no esforço mundial de pesquisas para vacinas contra a aids, junto com outros 25 países. A IAVI diz que o investimento global em pesquisas de vacinas anti-HIV é de US$ 960 milhões por ano. Atualmente, 46 estudos reúnem 25 mil voluntários em 23 países, incluindo o Brasil. De acordo com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, os resultados negativos encontrados até hoje mostram os caminhos que os estudos não devem seguir daqui para frente. Para ele, avanços e retrocessos “fazem parte do progresso científico”.
Nos próximos quatro anos, o Ministério da Saúde investirá R$ 25 milhões em pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina contra aids. Os recursos serão aplicados em capacitação de recursos humanos, infra-estrutura laboratorial e plataformas tecnológicas, possibilitando o avanço em outros campos da saúde pública.
Evento – O I Seminário Internacional sobre pesquisa, desenvolvimento e acesso a vacinas anti-HIV reunirá, até 3 de setembro, especialistas nacionais e internacionais para discutir temas como política científica e tecnológica nacional, cenário das pesquisas no cenário global, participação da sociedade civil e ética em ensaios clínicos.
No seminário também foi lançado o IV Plano Nacional de Vacinas Anti-HIV, único na América Latina e um dos poucos elaborados por países em desenvolvimento. Segundo a IAVI, África do Sul, China, Índia e Tailândia são outros países em desenvolvimento que têm atuação mais destacada na área de vacinas.
O Plano foi elaborado para implantar e consolidar um programa integrado de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, buscando assegurar recursos por meio do fortalecimento de cooperações já existentes e do estabelecimento de novas parcerias. A construção do documento teve a participação de um comitê consultor, formado por 28 pessoas, entre cientistas e representantes da sociedade civil, atualmente presidido pelo professor Alberto Duarte, da Universidade de São Paulo.
Durante a abertura também participaram o coordenador da iniciativa conjunta de vacinas contra o HIV da Organização Mundial de Saúde e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids, Saladim Osmanov, o representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Diego Victoria, o secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Pena, o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Reinaldo Guimarães, a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, e o representante da sociedade civil no Comitê Técnico Assessor de Vacinas Anti-HIV, Jorge Beloqui.
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