"Estar doente ou sofrer uma internação é difícil para qualquer um. Imagine quando se sofre preconceito ao estar em uma condição tão fragilizada", analisa Aleika, que chama atenção para outra dificuldade encontrada pelo grupo GBLTT' dentro da esfera da saúde. De acordo com o movimento, muitos profissionais da área não sabem como lidar com o público, principalmente os travestis. "Eles são alvo do preconceito de outros pacientes e sofrem com a falta de preparo dos médicos. É uma situação muito delicada, pois, quando se está doente, a pessoa fica indefesa. Ser alvo de curiosidade nesses casos é terrível, acaba gerando quadros de depressão e, em muitos casos, comprometendo o tratamento", coloca a coordenadora do Amotrans, que já foi Miss Brasil Transex, em 2002, e conquistou o segundo lugar no Miss International Queen, em 2007.
Para tentar minimizar o problema, as instituições governamentais começam a apostar na formação dos profissionais. Acioli Neto, coordenador municipal de DST e AIDS, explica que desde 2006 a Prefeitura do Recife realizou a capacitação de mais de 100 profissionais da saúde para conceder um atendimento humanizado em relação aos profissionais do sexo e aos travestis. "Orientamos, inclusive, que os travestis sejam chamados pelos nomes sociais, e não pelo nome masculino. Isso contribui para que eles se sintam mais acolhidos. Realizamos também um trabalho de conscientização desse público, inclusive por meio de travestis capacitados. É um trabalho que tem que ser intensivo, ainda há muito a ser feito", garante.