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 DST e aids nos jornais
  CNBB anuncia apoio a políticas anti-Aids mas não detalha medidas
  13/04/08
  

MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha, em Indaiatuba

Documento da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) intitulado "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil", que norteará os rumos da Igreja Católica no país até 2010, acena pela primeira vez com a possibilidade de a igreja apoiar "políticas governamentais" de combate à Aids, mas sem detalhar medidas.

O governo federal tem na campanha pelo uso de preservativos uma de suas políticas de prevenção contra a Aids e doenças sexualmente transmissíveis. No texto da CNBB, os bispos não usam a palavra preservativo. A Igreja Católica sempre evitou sugerir o uso de preservativos aos fiéis.

No tópico intitulado "A pessoa, a pobreza, a exclusão e as ameaças à vida", a CNBB diz que "a Pastoral da Aids se realiza em cinco direções: prevenção, intervenção, recuperação, ressocialização, acompanhamento e apoio das políticas governamentais para combater esta pandemia [Aids]".

O tópico cita ainda que a "prevenção, baseada em critérios éticos e cristãos, deve implementar a informação, promover a educação e levar a assumir atitudes responsáveis diante da epidemia".

A Folha obteve uma cópia do documento, de 60 páginas, que não foi divulgado pela CNBB. O texto aborda outros temas, como a situação econômica do país e ecologia. Foi aprovado pelos bispos durante a 46ª Assembléia Geral da CNBB, em Indaiatuba (SP), encerrada na manhã de ontem.

Quando a reportagem obteve a cópia do texto, a direção da CNBB já havia dado entrevista sem abordar o tema. À tarde, os bispos que dirigem a entidade estavam em trânsito e não foram localizados.

Segundo a CNBB, por meio de sua assessoria, o documento ainda passará por revisão ortográfica antes de ser encaminhado para publicação em editoras católicas.

"Brecha"
Para o secretário-executivo da Pastoral DST/Aids da CNBB, frei José Bernardi, o texto abre uma "brecha" para que agentes da pastoral possam indicar o uso de preservativos em certos casos.

"Eu acho que é uma brecha que foi deixada de forma até voluntária pelos bispos, embora não afirmem explicitamente. Os agentes da pastoral, que trabalham lá na ponta com a epidemia, com pessoas vivendo com Aids, de repente podem ter essa liberdade [de indicar o uso do preservativo]", disse.

Segundo ele, há situações "em que não há outro jeito" a não ser aconselhar o uso da camisinha. "Para ser a favor da vida, às vezes, você tem que se valer dos próprios métodos da ciência e do desenvolvimento tecnológico, como nos casos de profissionais do sexo, de casais em que um é portador do vírus HIV e em presídios, por exemplo", disse.

O secretário-executivo disse ainda que "tanto igreja como governo estão do mesmo lado". "Nós nos comprometemos a fazer o enfrentamento da epidemia. A igreja também quer colaborar com o governo para controlá-la."

Folha Online

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