Historicamente, as doenças de transmissão hídrica acometem mais a população da Capital em períodos chuvosos, enfatiza a assistente técnica da Célula de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Alice Ciarline.
Observa que desde 1986 até hoje, este ano registrou a incidência de dengue mais intensa. Para ela, o que a cidade está vivendo pode ser classificado como surto epidêmico da dengue. Isso porque a doença endêmica, ou seja, é registrada o ano inteiro, recrudesceu de forma significativa nesta quadra invernosa. "Com o maior acúmulo de águas, o mosquito Aedes aegypti tem ambiente propício para se desenvolver", diz.
Contudo, a epidemiologista Alice Ciarline lembra não ser menos preocupante a incidência entre os moradores da Cidade de leptospirose, diarréias e de infecções gastrointestinais e respiratórias, tendo como causa principal a contaminação de águas e alimentos.
São mais propensas às diarréias e às infecções respiratórias as crianças com menos de 10 anos de idade e as pessoas idosas, acrescenta o secretário de Saúde do Estado, João Ananias. Ele admite que tanto na Capital como no Interior cresce a procura pelos serviços de Saúde, provocando lotação e filas de espera por atendimento em postos e hospitais.
Aumento da tuberculose
Embora o registro de tuberculose também esteja elevado, a médica lembra que essa é uma doença endêmica, mas não é de veiculação hídrica. Para o titular da Sesa, o médico João Ananias, a tuberculose é grave e registra crescimento também em função da Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida (AIDS).
Em Fortaleza, segundo informações recentes da pneumologista Eanes Barros, só no Hospital de Messejana, dois novos casos de tuberculose.
O fato é que a preocupação com a doença levou a Secretaria a deflagrar uma campanha e a empossar o Comitê Metropolitano de Combate à Tuberculose no Ceará. O comitê tem a atribuição de elaborar planos, projetos e sugestões de políticas públicas para o controle da enfermidade.
A médica da Célula de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do Município, Alice Ciarline, diz que a Capital registra um "pico explosivo" do número de casos, com o agravante de que existem em Fortaleza três vírus da doença, o do tipo 1, 2 e 3.
Na Capital, do início do ano até agora, já foram confirmado 3.507 casos de dengue clássica e 39 do tipo hemorrágico, com um óbito, isso conforme o último boletim divulgado pela Sesa, na sexta-feira, dia 11.
Para Alice Ciarline, é preciso observar que há a perspectiva de novas confirmações de suspeitas e ainda ocorrências que não chegam a ser notificados. São as ocorrências nas quais a população não procura o serviço de saúde pública.
Outros indicativos do recrudescimento da dengue na Capital: em janeiro de 2007 a Secretaria de Saúde do Município notificou 249 casos, no mesmo mês deste ano, 830; em fevereiro de 2007, 375 casos, em fevereiro deste ano, 1.200; março de 2007, 1.069 registros da doença, em igual mês neste ano, 1.350.
Vale, ainda, ressaltar que esse número deverá subir com novas confirmações laboratoriais de suspeitas da dengue que chegam à SSM.
DOENÇA
3.507 casos de dengue confirmados na Capital este ano. Em fevereiro de 2007, houve 375 casos; já em fevereiro de 2008, 1.200. Isso mostra o crescimento da doença
Diário do Nordeste – CE