Com a introdução da terapia anti-retroviral, a qualidade do tratamento de pessoas vivendo com HIV/aids aumentou. Como conseqüência, nos últimos anos, têm sido observadas importantes diminuições no número de internações hospitalares, na ocorrência de complicações oportunistas e na mortalidade associada ao HIV. Entre os anos de 1995 a 1999, houve uma queda de aproximadamente 50% na taxa de óbitos entre homens no País. Já o número de internações por doenças oportunistas, como tuberculose, foi reduzido em 80%. Esses progressos também estão relacionados à melhoria no cuidado clínico e a alguns aspectos epidemiológicos, mas principalmente ao papel da terapia combinada.
Uma boa adesão ao tratamento significa tomar corretamente os medicamentos anti-retrovirais, seguir as doses corretas pelo tempo pré-estabelecido, bem como aderir ao serviço de saúde responsável (equipe multiprofissional).
A questão da adesão de crianças passa pela figura do provedor, que precisa ser conscientizado da importância de sua participação no tratamento e orientado, da melhor forma possível, acerca das prováveis dificuldades e formas de condução apropriadas.
Esse é um dos fatores determinantes para a garantia de uma boa resposta do organismo à infecção pelo HIV: a adesão como uma atividade conjunta, na qual o paciente não apenas obedece às orientações médicas e à equipe multiprofissional, mas entende, concorda e segue a prescrição. Essa garantia de boa resposta também exige que paciente ou cuidador tenham acesso ao serviço e aos profissionais de saúde, de modo a sanar dúvidas, solicitar orientação especial em situações diferenciadas e manter seu esquema terapêutico da melhor forma possível.
Estratégias recomendadas para se estabelecer e manter uma boa adesão do paciente ao tratamento anti-retroviral:
As atuais terapias anti-retrovirais têm um esquema de administração de doses bastante complexo, dividindo-se em duas a três doses ao dia, podendo ainda interferir no regime alimentar. O grande número de comprimidos ou cápsulas, utilizados por tempo indeterminado, dificulta sobremaneira a adesão do paciente ao tratamento a longo prazo. Alguns comprimidos precisam ser ingeridos em jejum, outros após a alimentação e em caso de infecções associadas, em que são necessárias terapias combinadas, o aumento no número de comprimidos pode trazer dificuldade na compreensão das doses.
No caso de pacientes em tratamento e que se encontram em situação especial - usuários de drogas, moradores de rua, que apresentam comorbidade psiquiátrica, entre outros -, para se garantir a adesão ao tratamento, a atenção deve ser redobrada. Neste sentido, a estratégia de Redução de Danos tem grande importância, já que essa estratégia compreende que o paciente deve ter sua situação clínica avaliada na perspectiva de suas reais possibilidades e condições.
Assim, alguns passos podem ser seguidos para ajudar a estabelecer uma boa adesão do paciente ao tratamento anti-retroviral:
- O profissional de saúde deve procurar elaborar um regime terapêutico o mais simples possível, adaptado à realidade do paciente (atenção especial aos analfabetos). Os medicamentos devem ser identificados pela cor, formato e nome.
- A terapia não deve ser iniciada até que os objetivos e necessidades de adesão ao tratamento sejam entendidos e aceitos pelo paciente ou cuidador.
- Recomenda-se que os retornos sejam mais freqüentes nas primeiras semanas após o início do tratamento, para conhecimento da equipe multiprofissional.
- É importante adequar o regime terapêutico ao estilo de vida do paciente e não exigir dele mudanças radicais ou drásticas. Compreender e aceitar o paciente, tal como é, é parte fundamental da boa adesão.
- O paciente deve sempre estar bem informado sobre os progressos do seu tratamento, dos resultados de seus testes laboratoriais e seus significados, bem como dos possíveis efeitos colaterais e condutas para tratamentos específicos.
- Em caso de mudanças na rotina de vida diária do paciente, mesmo que temporárias, replanejar as modificações necessárias, de forma a não prejudicar o efeito global do tratamento.
- Um aconselhamento dietético com um nutricionista e a organização de grupos de apoio para pacientes que fazem uso do mesmo esquema terapêutico são outras estratégias que podem ter sucesso em alguns casos.
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