Novos desafios estão postos frente às tendências de aumento da longevidade das pessoas que vivem com HIV/aids. Questões de ordem psicossociais como, por exemplo, os vínculos afetivos, a vivência da sexualidade, o desejo da paternidade/maternidade com parceiros com sorologia igual ou diferente, impactam na vida das pessoas e dos serviços de saúde que provêem cuidados a estes usuários.
É preciso uma revisão dos objetivos pessoais e profissionais e novas ponderações acerca das expectativas e crenças com relação ao tratamento. Por outro lado, os transtornos psiquiátricos como depressão, dependência e abuso de álcool, drogas e tabaco, entre outros, são cada vez mais frequentes nessa população.
O diagnóstico e o tratamento dos transtornos são fundamentais para melhorar a qualidade de vida desses pacientes. No entanto, a maioria dos casos não é diagnosticada e muitas vezes os sintomas são pouco valorizados.
O impacto na saúde mental das pessoas que vivem com HIV/aids acontece desde o momento do diagnóstico, alterando com a progressão da doença. O medo da morte, da revelação do diagnóstico, que podem levar à depressão e isolamento, por exemplo, devem ser priorizados, pois debilitam ainda mais o sistema de defesa e tem um resultado muito negativo na adesão ao tratamento, na maioria dos casos.
Essas questões são normalmente tratadas pelas equipes multidisciplinares dos Serviços de Assistência Especializada (SAE) em HIV/aids, quando contam com profissionais de saúde mental. No caso de transtornos mais graves, é recomendado o encaminhamento para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
O Programa Nacional DST/aids investiu no treinamento das equipes dos CAPS, para a construção de uma rede de referência e contra-referência com os serviços de HIV/aids de estados e municípios. Além disso, investe também na atenção às pessoas que vivem com HIV/aids que usam álcool e outras drogas, incorporando a estratégia de Redução de Danos nos SAE, como uma das prioridades no cuidado à saúde mental dessas pessoas.
Trabalhando saúde mental nos serviços de saúde
No trabalho com pacientes vivendo com HIV/Aids é preciso incluir a subjetividade como tema, a fim de promover intervenções que considerem a multiplicidade do sofrimento de quem adoece pelo HIV. Deve-se também considerar a noção de vulnerabilidade.
Uma equipe de saúde mental pode ser composta por:
- Assistentes sociais
- Psicólogos
- Psiquiatras
Objetivos das ações de em Saúde Mental e aids:
- Identificar o grau de sofrimento psíquico
- Abordar a relação do sujeito com a doença
- Identificar estratégias de atuação e encaminhamento
- Promover reabilitação psicossocial
- Diminuir do sofrimento psíquico
- Buscar significações psicossociais da doença
O trabalho em saúde mental e aids pode ser desenvolvido com várias populações e com diversos embasamentos, por exemplo:
Crianças
- Revelação diagnóstica
- Projeto e perspectiva de vida
- Violência: (A) física (B) sexual
- Compreensão sobre a adesão: (A) colaboração da criança (B) envolvimento dos pais
- Discriminação: (A) ambiente escolar (B) ambiente familiar
- Suporte social
Adolescentes
- Impacto do diagnóstico
- Sexualidade
- Efeitos colaterais da medicação (lipodistrofia)
- Inserção no mercado de trabalho
- Relacionamento familiar
- Rede social
- Adesão ao tratamento
- Discriminação
- Vulnerabilidade social e psíquica
Adultos
- Impacto do diagnóstico
- Perdas (saúde, financeiras, sociais)
- Promoção de renda
- Adesão ao tratamento
- Efeitos colaterais da medicação
- Sexualidade
- Retomada da vida afetiva
- Experiência subjetiva da doença
- Comorbidades psiquiátricas
As atividades podem ser desenvolvidas individualmente (aconselhamento, psicoterapia, consultas) ou em atendimentos grupais:
- Grupo de pacientes com lipodistrofia
- Grupo de adesão
- Grupo de arteterapia
- Grupo de gestantes
- Grupo de pacientes com hepatite
- Grupo de sala de espera
Serviços que não possuem equipe mínima de saúde mental podem contemplar um atendimento que tenha esta questão como embasamento levando em conta:
- Integralidade do paciente (abordagem no sujeito e não só o sintoma)
- Introduzir questões que contemplem aspectos da saúde mental nas consultas
- Ênfase no vínculo
- Participar da construção da rede de referência e contra-referência