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Tratamento de HIV e aids
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 Saúde mental
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  Manual de Assistência Psiquiátrica em HIV/AIDS

 PDF [489 KB]
  ÁLCOOL, DROGAS ILÍCITAS E ANTI-RETROVIRAIS
  Autor: Vanja Maria Bessa Ferreira

 PDF [20 KB] 

Novos desafios estão postos frente às tendências de aumento da longevidade das pessoas que vivem com HIV/aids. Questões de ordem psicossociais como, por exemplo, os vínculos afetivos, a vivência da sexualidade, o desejo da paternidade/maternidade com parceiros com sorologia igual ou diferente, impactam na vida das pessoas e dos serviços de saúde que provêem cuidados a estes usuários.

É preciso uma revisão dos objetivos pessoais e profissionais e novas ponderações acerca das expectativas e crenças com relação ao tratamento. Por outro lado, os transtornos psiquiátricos como depressão, dependência e abuso de álcool, drogas e tabaco, entre outros, são cada vez mais frequentes nessa população.

O diagnóstico e o tratamento dos transtornos são fundamentais para melhorar a qualidade de vida desses pacientes. No entanto, a maioria dos casos não é diagnosticada e muitas vezes os sintomas são pouco valorizados.

O impacto na saúde mental das pessoas que vivem com HIV/aids acontece desde o momento do diagnóstico, alterando com a progressão da doença. O medo da morte, da revelação do diagnóstico, que podem levar à depressão e isolamento, por exemplo, devem ser priorizados, pois debilitam ainda mais o sistema de defesa e tem um resultado muito negativo na adesão ao tratamento, na maioria dos casos.  

Essas questões são normalmente tratadas pelas equipes multidisciplinares dos Serviços de Assistência Especializada (SAE) em HIV/aids, quando contam com profissionais de saúde mental. No caso de transtornos mais graves, é recomendado o encaminhamento para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

O Programa Nacional DST/aids investiu no treinamento das equipes dos CAPS, para a construção de uma rede de referência e contra-referência com os serviços de HIV/aids de estados e municípios. Além disso, investe também na atenção às pessoas que vivem com HIV/aids que usam álcool e outras drogas, incorporando a estratégia de Redução de Danos nos SAE, como uma das prioridades no cuidado à saúde mental dessas pessoas.

Trabalhando saúde mental nos serviços de saúde
No trabalho com pacientes vivendo com HIV/Aids é preciso incluir a subjetividade como tema, a fim de promover intervenções que considerem a multiplicidade do sofrimento de quem adoece pelo HIV. Deve-se também considerar a noção de vulnerabilidade.

Uma equipe de saúde mental pode ser composta por:

  • Assistentes sociais
  • Psicólogos
  • Psiquiatras 

Objetivos das ações de em Saúde Mental e aids:

  • Identificar o grau de sofrimento psíquico 
  • Abordar a relação do sujeito com a doença
  • Identificar estratégias de atuação e encaminhamento
  • Promover reabilitação psicossocial
  • Diminuir do sofrimento psíquico 
  • Buscar significações psicossociais da doença

O trabalho em saúde mental e aids pode ser desenvolvido com várias populações e com diversos embasamentos, por exemplo:

Crianças

    • Revelação diagnóstica
    • Projeto e perspectiva de vida
    • Violência: (A) física (B) sexual 
    • Compreensão sobre a adesão: (A) colaboração da criança (B) envolvimento dos pais 
    • Discriminação: (A) ambiente escolar (B) ambiente familiar 
    • Suporte social

Adolescentes

    • Impacto do diagnóstico
    • Sexualidade
    • Efeitos colaterais da medicação (lipodistrofia)
    • Inserção no mercado de trabalho
    • Relacionamento familiar
    • Rede social
    • Adesão ao tratamento
    • Discriminação 
    • Vulnerabilidade social e psíquica

Adultos

    • Impacto do diagnóstico 
    • Perdas (saúde, financeiras, sociais)
    • Promoção de renda
    • Adesão ao tratamento
    • Efeitos colaterais da medicação
    • Sexualidade
    • Retomada da vida afetiva
    • Experiência subjetiva da doença
    • Comorbidades psiquiátricas

As atividades podem ser desenvolvidas individualmente (aconselhamento, psicoterapia, consultas) ou em atendimentos grupais:

  • Grupo de pacientes com lipodistrofia
  • Grupo de adesão
  • Grupo de arteterapia
  • Grupo de gestantes
  • Grupo de pacientes com hepatite
  • Grupo de sala de espera

Serviços que não possuem equipe mínima de saúde mental podem contemplar um atendimento que tenha esta questão como embasamento levando em conta: 

    • Integralidade do paciente (abordagem no sujeito e não só o sintoma)
    • Introduzir questões que contemplem aspectos da saúde mental nas consultas
    • Ênfase no vínculo
    • Participar da construção da rede de referência e contra-referência

 

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