Estima-se que cerca de 593 mil pessoas vivam com HIV ou aids no Brasil. Segundo parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil mantém sua posição, entre os países com epidemia, concentrada (quando o número de casos, novos ou antigos, em qualquer população de risco é maior que 5%, mas menor que 5% nas populações que não apresentam condutas de risco), com prevalência da infecção pelo HIV de 0,61% entre a população de 15 a 49 anos, sendo 0,42% entre as mulheres e 0,80% entre os homens.
A estabilização das taxas de prevalência do HIV certamente está associada às mudanças de comportamento e às práticas e atitudes da população brasileira frente às questões relacionadas à transmissão do HIV. O uso consistente do preservativo é a medida considerada mais eficiente para impedir a transmissão do HIV pela via sexual. Estudos com jovens de 17 a 21 anos, conscritos do Exército Brasileiro, mostram que o uso de preservativo, com parceiro eventual, vem aumentando nos últimos anos. Destaca-se, também, o aumento observado no uso de preservativos entre os jovens em sua primeira relação sexual.
O índice de comportamento sexual de risco (ICSR) diminuiu no período entre 1999 e 2002. Esta diminuição é mais expressiva entre homens que fazem sexo com outros homens (HSH) e usuários de drogas injetáveis (UDI).
Entre os principais fatores de vulnerabilidade ao HIV estão: a falta de conhecimento sobre as formas de transmissão e proteção; o uso inconsistente ou a falta de uso de preservativos; e a multiplicidade de parceiros sexuais. Dados da Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP-BR), realizada em 2004, mostram que quase 91% da população brasileira, com idades entre 15 e 54 anos, citou espontaneamente a relação sexual como forma de transmissão do HIV e 94% citou o uso de preservativo como forma de prevenção da infecção. O conhecimento foi maior entre as pessoas de 25 a 39 anos, entre os mais escolarizados e entre as pessoas residentes nas regiões Sul e Sudeste. Além disso, quase 90% da população brasileira de 15 a 54 anos relatou já ter tido alguma relação sexual na vida e, destes, 81% eram sexualmente ativos no ano anterior à realização da pesquisa. Dos ativos, quase 20% relatou ter tido mais de 10 parceiros na vida e 4%, mais de cinco parceiros eventuais no último ano. Entre os jovens de 15 a 24 anos, essa proporção alcança 7%.
Ainda de acordo com a PCAP-BR de 2004, os indicadores relacionados ao uso de preservativos mostram que aproximadamente 38% da população sexualmente ativa usou preservativo na última relação sexual, independentemente da parceria. Essa proporção chega a 57% quando se consideram apenas os jovens de 15 a 24 anos. O uso de preservativos na última relação sexual com parceiro eventual foi de 67%. No que diz respeito ao uso consistente de preservativos, ou seja, ao uso em todas as relações sexuais, aproximadamente 25% da população sexualmente ativa, de 15 a 54 anos, relatou uso regular de preservativo no último ano, atingindo 51,5% quando se considera o uso com parceiro eventual. Vinte e oito por cento da população sexualmente ativa já havia se testado para o HIV alguma vez na vida. A cobertura da testagem é maior entre as mulheres sexualmente ativas (35%) do que entre os homens (21,4%) devido, principalmente, ao incentivo à realização do teste anti-HIV durante o pré-natal.